Economista: pesquisa de comércio mostra deterioração da economia brasileira
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista caiu 1,1% em julho, na comparação com o mês anterior. O Jornal do Brasil conversou com economistas e representantes do setor comercial sobre as possíveis causas, consequências e os maiores temores em relação aos dados. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) foi divulgada nesta quinta-feira (11).
>> Vendas do comércio têm maior queda desde outubro de 2008
Para o economista e doutor em engenharia de produção, Carlos Cova “isto se deve a um quadro de deterioração continuada em que se encontra a economia brasileira há pelos menos três anos, em virtude de uma política econômica desalinhada de fundamentos consistentes”. Cova, que também é diretor de pós-graduação da Aleph Educacional, continua dizendo que “a lógica de impulsionar a economia por meio da expansão do crédito e do consumo fracassou, mas o governo insiste nessa equação. O país se ressente da falta de investimentos e da falta de clareza nas políticas monetária e fiscal, o que torna a expectativa dos agentes econômicos bastante pessimistas.
Perguntado sobre os impactos da queda para a economia brasileira, Cova analisa que “caso persista esta situação, a tendência será o aumento da inflação”. Os motivos, ele explica: “por força do aumento da taxa de câmbio e em razão do represamento artificial dos combustíveis – que deverão subir – e por força do realinhamento dos preços e das tarifas de energia, em consequência das medidas intempestivas de renovação dos contratos, em 2012, sob condições que inviabilizam as concessionárias de energia”. Ainda segundo o economista, “o aumento da inflação será seguido de uma redução dos investimentos, do rebaixamento do país pelas agências de rating, e, em um segundo momento, do aumento do desemprego”.
Essa é a segunda queda consecutiva do indicador e o pior resultado desde outubro de 2008, que também ficou em -1,1%. Para Covas, é possível comparar o atual momento da economia brasileira com outubro de 2008. “Trata-se de uma dinâmica continuada, na qual a situação atual é pior do que um ano atrás, em quase todos os aspectos”, avalia.
Grandes eventos
O presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Antenor de Barros leal, acredita que a Copa do Mundo colaborou para a queda do índice. “Pela quantidade de feriados, o endividamento das famílias e a queda da atividade econômica”, justifica. Perguntado sobre as Olimpíadas, que acontecerão no Rio em 2016, Antenor é otimista: “Acredito que não. Os dados do IBGE analisam o Brasil, não apenas o Rio. Vai depender também da economia da época”.
Aldo Gonçalves, presidente do Sindlojas/Rio e da CDLRio, critica a falta de organização do governo para a Copa do Mundo e mostra preocupação com 2016. “A Copa impactou negativamente as vendas porque tirou o foco do consumo e também devido ao excesso de feriados. Embora o comércio pudesse abrir, não adiantava. Nosso receio agora é com as Olimpíadas. O governo tem que planejar isso. No Rio os feriados prejudicaram muito. Houve sete anos para planejar a Copa. Agora temos dois anos até as Olimpíadas. Esperamos que algo seja feito”, opinou.
*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil
