Brasil avança em conectividade empresarial, mas setor pede mais

Empresários exigem plano de banda larga mais ambicioso do governo, que reconhece pedido

Por Pamela Mascarenhas

O Sistema Firjan debateu nesta segunda-feira (30/09) a qualidade dos serviços de telecomunicações oferecidos às empresas brasileiras. Para Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos da Federação, o país pode avançar mais em relação à velocidade de banda larga, considerando a posição e importância que alcançou nos últimos anos. Ele acredita que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) terá efeitos positivos para a competitividade empresarial, mas que o governo precisa ter metas mais ambiciosas, assim como o setor privado precisa investir mais. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, presente na ocasião, reconheceu a importância da questão e se mostrou aberto às reivindicações, ressaltou Prado. 

O PNBL visa oferecer acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014, à velocidade de no mínimo 1 Mbps. Com o plano, micro e pequenas empresas do país inteiro devem ser contempladas. No entanto, a Índia, destaca Prado, prevê para 2014 o acesso das empresas das grandes cidades à cobertura de 10 Mbps; a Argentina projeta acesso de 50 Mbps a 80% das empresas até 2016; e os Estados Unidos universalização da cobertura de 100 Mbps até 2020. A Federação se colocou à disposição do governo para participar do conselho para o próximo Plano relacionado à banda larga.

Paulo Bernardo, presente à explanação do gerente da Firjan, disse que não existem metas de velocidade ou de atendimento da internet de banda larga para as empresas brasileiras. As metas definidas pelo PNBL se referem somente ao acesso domiciliar. Deixou claro, entretanto, que está aberto a dialogar com os empresários e examinar a questão.

"É preciso reconhecer que houve avanços no setor, em relação aos investimentos das empresas e na regulação do governo. Mas, claramente, temos um gap, ainda há uma distância de ambição em relação ao oferecido ao setor empresarial no mundo. Os países já perceberam, nossos principais concorrentes, que a banda larga é tão essencial quanto energia elétrica. É parte dos insumos essenciais à produção. Concorrentes como Japão e Coreia do Sul já oferecem amplo acesso à velocidade de 1 Gbps. Esse é um diferencial competitivo muito grande. Enquanto nós esperamos o download de um vídeo institucional, por exemplo, eles já viram o vídeo, já responderam e receberam o material de volta", declarou Prado.

Prado acredita que é necessário uma regulamentação que garanta acesso rápido, de qualidade e com preço competitivo. "O mundo está andando numa velocidade muito mais rápida que o Brasil", afirma. "A priorização é entender que isso é um fator de competitividade que, como tal, merece receber esforço na questão de legislação, padronização de contratos. Sem dúvida, é preciso aumentar o investimento público e privado nesse segmento", completou.

Uma das sugestões da Federação, durante o encontro, foi que parte dos impostos pagos pelo setor empresarial para aquisição de serviços de telecomunicações seja revertida em investimentos na qualidade e acesso à banda larga. "Com isso, as empresas ganham com mais opções de serviços, mais qualidade, mais competitividade".