Presidente do FED diz que altos impostos devem desacelerar crescimento
Segundo Bernanke, altas taxas de desemprego terão "custo extraordinário"
Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve(Banco central dos Estados Unidos), declarou ao Congresso dos EUA nesta quarta-feira, que o mercado americano continua fraco e que ainda é cedo demais para que o FED encerre seus programas de estímulos extraordinários.
Em testemunho diante do Comitê econômico do Congresso americano, Bernanke disse que a economia está crescendo moderadamente neste ano e que o desemprego caiu para uma taxa de 7,5% nos últimos quatro anos. Porém, o desemprego permanece em níveis bem acima do observado nos países economicamente saudáveis.
Bernanke disse ainda que impostos mais altos e profundos cortes de gastos federais devem desacelerar o crescimento econômico neste ano. O presidente do FED enfatizou que reduzir os esforços do banco para manter baixas as taxas de empréstimos significariam “um enorme risco de diminuir ou encerrar a recuperação econômica".
A baixíssima taxa de juros do FED tornou os empréstimos mais baratos e causou uma grande mudança no mercado de ações neste ano.
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A respeito das preocupações com a estabilidade financeira do país, ele diz que a preocupação aumentou um pouco. " Melhoramos muito nossa atenção e monitoramento desses assuntos, para saber que tipo de implicações isso pode ter na economia do país como um todo", garantiu.
O Japão também foi assunto. Segundo Bernanke, os Estados Unidos apoiam a política econômica japonesa, e fez duas observações. Primeiramente, ele disse que o crescimento do balanço do Banco do Japão será pelo menos três vezes maior do que o do FED. Depois, Bernanke acrescentou que houve efeitos reais e dramáticos na economia do país devido a essas ações, tanto no mercado financeiro quanto na economia real do país. “É só mais uma evidência de que essas políticas têm efeito na economia”.
A inflação global baixa e o dólar forte, como pontuou Bernanke, são acertos feitos pela equipe econômica americana. “Não erramos de forma alguma nessa responsabilidade”, pontuou.
As restrições fiscais, de acordo com Bernanke, podem ser explicadas por diversos problemas,incluindo os pós-efeitos da crise financeira, suas consequências na Europa, o problema com o mercado imobiliário. É muito importante frisar que a política fiscal dos últimos anos tem sido um problema para a economia, mais do que um avanço.
“Se não fossem algumas outras ações agressivas na política monetária, o crescimento da nossa economia seria bem mais fraco do que tem sido”, analisou o presidente do FED, que reconheceu a importância da responsabilidade orçamentária, porém sem deixar de ressaltar que “ela não é a responsável pelas restrições a curto prazo, e nem tem nada a ver com entraves a mais longo prazo, que é onde estão os nossos maiores problemas”, finalizou Bernanke.
