Impasse nas negociações nos EUA deve derrubar bolsas
O impasse nas negociações nos Estados Unidos para evitar o abismo fiscal deixa investidores cautelosos. Diante deste cenário, os índices europeus e o indicador futuro das bolsas norte-americanas operam em campo negativo.
“As negociações para contornar o chamado “abismo fiscal” nos Estados Unidos voltam a concentrar as atenções nos mercados internacionais nesta sexta-feira, depois que os republicanos suspenderam a votação no chamado “plano B”, que propunha aumentar as taxas para rendas acima de US$ 1 milhão. Com o anúncio de que a Câmara não deverá realizar nenhuma outra votação até o retorno do recesso do Natal, a margem de tempo para desenhar e aprovar um projeto de consenso entre republicanos e democratas fica bastante restrita. O impasse de ontem aumenta a percepção do mercado de que os políticos norte-americanos serão incapazes de reverter os cortes automáticos de gastos, o que poderia provocar uma recessão nos EUA no próximo ano”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.
E sentindo os reflexos das notícias americanas, as bolsas asiáticas fecharam em queda. Com isso, a bolsa de Tóquio terminou a sessão desta sexta-feira em baixa de 0,99%. No fechamento, o índice Nikkei 225 perdeu 99,27 pontos, a 9.940,06 pontos.
Enquanto isso, na Europa, as bolsas operam em queda com investidores cautelosos em relação aos EUA. Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava perdas de 0,43%, aos 3.650 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 0,56%, aos 7.629 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava baixa de 0,65% aos 5.919 pontos.
Entre os dados da agenda do Velho Continente, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico registrou avanços de 0,9% no terceiro trimestre de 2012, de acordo com informações preliminares da ONS, Escritório Nacional de Estatísticas.
E contribuindo para a cautela dos investidores, a confiança do consumidor da Alemanha deve recuar em janeiro, de acordo com projeções divulgadas hoje pelo Instituto GfK. O indicador deve passar dos 5,8 pontos registrados em dezembro para 5,6 pontos em janeiro.
Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em campo negativo. Mas, investidores aguardam a divulgação da agenda econômica do país.
Por aqui, o Ibovespa, deverá seguir em linha com o mercado externo.
Abrindo a agenda de indicadores econômicos brasileiros, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou pelo terceiro mês consecutivo entre novembro e dezembro, ao passar de 120,0 para 118,7 pontos. Apesar de se manter em patamar superior à média histórica, o índice agora passa a apresentar tendência declinante também quando expresso em média móvel trimestral.
Além disso, o Índice Nacional de Custo da Construção - M (INCC-M) registrou, em dezembro, taxa de variação de 0,29%, acima do resultado do mês anterior, de 0,23%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Para Barros, no mercado de câmbio, o dólar e iene devem se valorizar contra as demais moedas, refletindo maior aversão a risco.
