O sobe e desce da política cambial brasileira

O dólar sofre muitas oscilações ao longo do ano

Por Carolina Mazzi

Durante a maior parte de 2012, na tentativa de salvar a indústria nacional, o governo brasileiro fez de tudo para manter o dólar valorizado e mitigar a entrada da divisa no país. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o capital que adentrava as fronteiras era, em sua maioria, apenas especulativo e quem os portava lucrava apenas com a alta taxa de juros do país, não oferecendo nenhum tipo de investimento.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) reduziu a taxa Selic dez vezes consecutivas até atingir o patamar histórico de 7,25% ao ano. Junto com a queda expressiva, houve também aumento no valor dos impostos para entrada da moeda. Assim, a divisa que havia chegado a menos de R$ 1,60 fechou esta quarta (5) em R$ 2,10.

Mesmo assim, o saldo entre entrada e saída de dólares ficou positivo em US$ 4,876 bilhões no resultado fechado de novembro, o maior desde abril, quando as entradas superaram as saídas de capital em US$ 6,588 bilhões, segundo dados divulgados do BC.

Com uma taxa de investimento baixa (cerca de 18,8% do Produto Interno Bruto), o governo tem anunciado uma série de medidas dentro de um pacote de estímulo para aumentar este índice. Entre elas, está aquela que reduz para um ano o prazo dos empréstimos externos sujeitos à alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Até então, os empréstimos com prazos de até dois anos pagavam essa alíquota.

O objetivo agora é atrair novos investimentos estrangeiros. Mantega afirmou que o perigo da especulação é menor desde a queda dos juros e os dólares que entrarem a partir de agora, segundo ele, irão para investimento na produção e para capital de giro. 

“À medida que você tem uma taxa de juros aqui mais parecida com a do exterior, você diminuiu o apetite da especulação, o apetite da arbitragem. Então, o recurso vem para a atividade produtiva. Assim, é possível liberar mais porque o mercado se equilibra melhor”, acrescentou.

O vai-e-vem do dólar

O dólar valorizado ajuda a indústria nacional, já que diminui o preço dos produtos brasileiros e eleva o dos importados, aumentando a competitividade dentro e fora do país. "Existe um cálculo inclusive que diz que o valor ideal para este setor seria de R$ 2,50", afirma o economista Paulo Gala, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP). 

Porém, o aumento dos preços dos produtos importados acaba impactando na inflação e reduzindo o real poder de compra dos salários, que leva, a longo prazo, a uma pior distribuição de renda. "Não há fórmula exata na economia, uma medida sempre tem um impacto positivo e outro negativo", avalia Gala.

Prioridade é a indústria

Apesar da recente medida, o governo tem demonstrado maior interesse em beneficiar as indústrias nacionais, através da desoneração de impostos como, por exemplo, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prorrogados até janeiro. Isto porque, segundo o economista Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o setor é altamente empregador.

"O setor industrial é mais dinâmico e o emprego na indústria paga muito melhor. O mercado de trabalho brasileiro tem crescido pelo setor de serviços, onde há uma concentração do emprego que paga abaixo de mil, dois mil reais", explica.