Bovespa tem sétima queda seguida e pior desempenho desde dezembro
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou esta quarta-feira (16) em queda de 0,62%, aos 55.887 pontos, registrando sua sétima desvalorização consecutiva e fechando na mínima desde 10 de dezembro de 2011 – quando apresentou 55.298 pontos. Trata-se da mais longa sequencia de perdas da bolsa desde o período de 2 a 10 de outubro de 2008, quando também teve sete encerramentos negativos seguidos. O volume negociado na sessão foi de R$ 8,81 bilhões.
O dólar teve fechamento estável frente ao real e acima de R$ 2 pela segunda sessão seguida. A divisa americana acompanhou o movimento externo, mostrando alguma volatilidade com as incertezas em relação à Grécia. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 2,0015 na venda.
O mercado refletiu as preocupações com a Grécia, após o Banco Central Europeu (BCE) restringir operações com alguns bancos do país, temendo uma nova declaração de default (calote). O clima político grego permanece turbulento, uma vez que não foi acertado o governo de coalizão e o país terá novas eleições em 17 de junho. A ultima reunião do Federal Open Market Commitee (Fomc) – equivalente ao Copom nos EUA - demonstrou um aumento da percepção de risco, alegando haver incertezas que podem prejudicar a economia norte-americana. A declaração dá abertura para o novos estímulos monetários para o crescimento no ritmo desejado pelo órgão.
Mercado
Na Bovespa, o destaque positivo ficou por conta das ações (PETR3, PETR4) da Petrobras que tiveram ganhos expressivos após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre da petrolífera na terça-feira (15), com lucro líquido de R$ 9,428 bilhões, valor 80,34% superior em relação ao quarto trimestre de 2011 e 15,75% inferior ao mesmo período do ano passado. Já o lucro que é repassado aos acionistas registrou R$ 9,214 bilhões - queda de 16,12% frente ao 1T11 e alta de 82,49% em relação ao 4T11. Como efeito as ações ordinárias e preferenciais subiram, respectivamente, 3,63% e 4,33%, cotadas a R$ 19,98 e R$ 19,29. Juntos, os ativos da empresa representam 10,49% do Ibovespa.
Vale e OGX Petróleo, que também representam parte significativa do índice, tiveram queda no pregão. As ações ordinárias e preferenciais da mineradora caíram 2,78% e 2,96%, a R$ 37,10 e R$ 36,10. Os ativos da petroleira de Eike Batista desvalorizaram 3,41%, a R$ 11,62, ainda refletindo os resultados do primeiro trimestre divulgado na segunda-feira (14), nos quais foi anunciado pela a empresa que as reservas no campo de Waimea, na Bacia de Campos, tiveram projeções de 110 milhões de barris, enquanto o esperado era de 150 milhões.
No campo positivo da bolsa, a maior alta do dia ficou para as ações da varejista B2W, que registraram avanço de 16,30%, cotadas a R$ 7,49, refletindo a possível realização de uma Oferta Publica de Aquisição (OPA). Também tiveram ganhos os ativos da BR Malls (+4,31%, a R$ 22,98), os da Hypermarcas (+4,23%, a R$ 12,07) e da Copel (3,69%, a R$ 46,05).
Na outra ponta da bolsa, o destaque negativo ficou para os papéis do frigorífico JBS-Friboi, que tiveram retração de 8,83%, a R$ 6,09, por conta da divulgação do primeiro trimestre deste ano, que registrou queda de 21% no lucro líquido. Após o Morgan Stanley retirar a Usiminas do Morgan Stanley Capital International (MSCI) suas ações tiveram desvalorização de 7,32%, a R$ 14,31. Os papéis da construtora Gafisa recuaram 5,57%, a R$ 3,22. Completaram as cinco maiores quedas do dia, os ativos da MMX, que caíram 5,19%, a R$ 7,30, e os da BMF&Bovespa, com baixa de 4,29%,a R$ 9,36.
Cenário externo
No Velho Mundo, os principais índices acionários fecharam em queda por conta da instabilidade política na Grécia, que sofre ameaças de ser expulsa da Zona do Euro. O presidente do Conselho do Estado da Grécia, Panaviotis Pikramenos, anunciou na terça-feira (15) que as novas eleições legislativas acontecerão no dia 17 de junho, uma vez que os partidos de maior representatividade no Parlamento não conseguiram formar um governo de coalizão.
Os saques no bancos gregos totalizaram mais de 700 milhões de euros na segunda-feira (14). Com isso, o índice Athex Composite, da bolsa de Atenas, teve desvalorização de 1,66%, aos 556 pontos, com as ações do Banco Nacional da Grécia caindo 12,20%.
Na bolsa de Paris, o CAC 40 teve alta de 0,31%, aos 3.049 pontos, enquanto na bolsa de Frankfurt, o DAX 30 recuou 0,26%, aos 6.384 pontos. O FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 0,60%, aos 5.045 pontos, e o IBEX 35, da bolsa de Madri, teve baixa de 1,33%, aos 6.612 pontos.
Nos Estados Unidos, o noticiário deu destaque à ata do Fomc, que não trouxe nenhuma novidade sobre uma nova rodada de estímulos econômicos, além da instabilidade vinda da Grécia. Representantes do Fomc, contudo, disseram que uma nova rodada pode ser necessária caso a economia americana piore, motivada pelo cenário turbulento da Europa.
Como efeito, os principais índices acionários tiveram queda. O Dow Jones Industrial fechou em baixa de 0,26%, aos 12.598,55 pontos, o S&P 500 caiu 0,44% e o índice composto da bolsa eletrônica Nasdaq Composite recuou 0,68%, aos 2.874,04 pontos.
