Cenário político na Europa deve ditar ritmo às bolsas
Incertezas com a política na Europa continuam a dominar os pregões nesta quarta-feira. De acordo com Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos – Bradesco, a dificuldade na formação do próximo governo grego após as eleições inconclusivas deste final de semana continua alimentando incertezas no mercado global, já que o impasse político coloca em risco a habilidade do país em cumprir os ajustes acordados com organismos financeiros internacionais, ameaçando a Zona do Euro como um todo.
Neste ambiente, as bolsas asiáticas fecharam nos níveis mais baixos. Com isso, a bolsa de Tóquio encerrou a sessão de quarta-feira em baixa de 1,49%. O índice Nikkei 225 perdeu 136,59 pontos, a 9.045,06 unidades.
Contribuindo ainda mais para as preocupações dos investidores, a Grécia corre o risco de ficar fora da Eurozona se ignorar os acordos estabelecidos com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber ajuda financeira em troca do saneamento de suas contas públicas, advertiu um conselheiro econômico do atual governo.
E vale lembrar que nesta quinta-feira receberá, como estava previsto, € 5,2 bilhões concedidos por seus credores públicos, apesar da incerteza política no país, mas "há dúvidas" sobre o desembolso do resto do resgate, advertiu nesta quarta-feira um ministro europeu.
Na agenda do Velho Continente, destaque para a balança comercial da Alemanha de março que registrou superávit de € 13,7 bilhões. Neste contexto, indica u avanço na comparação com o mês anterior (€ 13,6 bilhões, dado revisado), de acordo com informações divulgadas hoje pelo Escritório Federal de Estatísticas Destatis. O número veio abaixo das estimativas do mercado, que apontavam para ganhos de € 14,3 bilhões. As exportações tiveram alta de 0,9% ante fevereiro. Já as importações cresceram 1,2% na comparação com o mês diretamente anterior. O resultado da conta corrente teve superávit de € 19,8 bilhões em março, frente aos € 11,7 bilhões registrados em fevereiro.
Há pouco, em Londres, o índice FTSE 100 caía 1,28%, aos 5.483 pontos, o DAX, em Frankfurt, tinha queda de 0,48%, aos 6.413 pontos; e em Paris, o índice CAC-40 desvaloriza 1,08%, aos 3.090 pontos.
Em Wall Street, os agentes ficam de olho nas incertezas do cenário político europeu e aguardam a divulgação do estoques no atacado que sairá às 11h.
Por aqui, o Ibovespa, deverá seguir em linha com o mercado internacional de olho na Europa com suas incertezas políticas.
Na agenda doméstica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de abril apresentou resultado de 0,64%, três vezes mais do que a taxa de 0,21% registrada em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse resultado foi o maior índice mensal desde abril de 2011 (0,77%).
E o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, registrou alta de 0,55% na primeira quadrissemana de maio, ante 0,47% apresentado na última semana de abril.
Segundo Barros, o aumento da percepção de risco faz com que o dólar e o iene se valorizem frente às principais moedas mundiais, por isso ele espera que o real continue em trajetória de desvalorização.
