Ernane Galvêas fala sobre as perspectivas econômicas para o Brasil em 2012
A partir desta quinta-feira (19), o Jornal do Brasil publica diariamente matérias com as perspectivas econômicas para 2012, do ponto de vista do ex-ministro da Fazenda Ernane Galvêas.
Para o economista, o crescimento do país ficará em torno de 3,5%. "O ano de 2012 não deverá ser muito diferente de 2011, mesmo considerando as variáveis políticas das eleições", escreve Galvêas no documento "Síntese da Conjuntura", da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
Galvêas afirma ainda que, se o Banco Central "tiver juízo", deverá reduzir a Selic em até, no máximo, 9%. Segundo ele, a taxa afeta as exportações do país, que já terão menor contribuição devido à baixa expansão do comércio internacional.
A perspectiva de Galvêas vai ao encontro com especialistas do mercado, que acreditam em uma taxa de juros de 9,5% para 2012. Na última quarta-feira (18), o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual.
As maiores preocupações nacionais, segundo Galvêas, que já presidiu o Banco Central, serão os reajustes salarias, que continuarão a puxar a inflação para cima e a falta de investimentos em infra-estrutura - o que eleva os custos da produção e reduz o nível de competitividade.
A seca no Sul e as chuvas em Minas Gerais e no Nordeste certamente afetarão a produção agrícola e os preços alimentícios, afirma. "O feijão subiu 15% e os legumes subiram em até 150%, apenas em janeiro" lembra.
No cenário internacional, a China é o caso menos preocupante, enquanto a contínua crise na zona do euro e a tensão entre o Irã e os Estados Unidos são apontados como os principais problemas que o Brasil terá pela frente. No entanto, a decisão da agência de crédito Standard & Poor's (S&P) de reduzir a nota da França, segundo o ex-ministro, é "ridícula" e um provável colapso do euro é "um total non-sense", afirma.
A seguir
Nas próximas matérias, Galvêas fala das perspectivas para o Brasil em diversos setores, como Agricultura, Indústria, Finanças e o mercado de trabalho, além de comentar o cenário internacional.
Ernane Galvêas foi ministro da Fazenda, presidente do Banco Central e assessor econômico do governo brasileiro por décadas. Também trabalhou na iniciativa privada, em empresas como a Aracruz Celulose. É bacharel em Ciências e Letras, Contabilidade, Economia e Direito.
