Europa atinge acordo fiscal sem o apoio da Grã-Bretanha 

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Os dirigentes europeus chegaram nesta sexta-feira a um acordo para reforçar a disciplina fiscal na Eurozona, que, apesar de não contar com o apoio da Grã-Bretanha, foi bem recebido pelos mercados. 

"Fora um deles, todos os países da UE deverão participar’ do pacto por uma nova união fiscal europeia, disse o chefe da UE, Herman Van Rompuy, ao término da reunião. 

O chamado encontro do ‘tudo ou nada’ atingiu resultados positivos, disseram o Banco Central Europeu (BCE), França e Alemanha após as dez horas de negociações. 

Com isso, as principais bolsas europeias fecharam a sexta-feira com fortes altas. 

O principal índice da Bolsa de Londres, o Footsie-100, ganhou 0,83%, fechando aos 5.529,21 pontos. O CAC 40 de Paris subiu 2,48%, aos 3.172,35 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX subiu 1,91%, aos 5.986,71 pontos. O IBEX 35 de Madri ganhou 2,23%, aos 8,649,7 pontos, e o índice FTSE Mib de Milão avançou 3,37%, a 15.484 pontos. 

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, do setor mais eurocético de seu partido, rompeu abruptamente um período de trégua com a União Europeia (UE) ao bloquear o projeto, alegando a falta de garantias para seu país. 

"Preferiríamos um acordo dos 27’ países da União Europeia, disse por sua vez o presidente francês, Nicolas Sarkozy. ‘Contudo, isso não foi possível devido aos nossos amigos britânicos’, explicou. 

Apesar da não participação, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a Grã-Bretanha não está excluída da UE. ‘Somos um membro relevante do mercado único’, disse Cameron em entrevista televisada de Bruxelas, antes de seu retorno a Londres. 

A princípio relutantes, os outros nove países da União Europeia que não formam parte da Eurozona devem assinar os acordos. 

São eles Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Suécia. Segundo a declaração revisada divulgada ao final da reunião, esses países ‘manifestaram a possibilidade de participar deste processo depois de consultarem seus Parlamentos’.   

Em Bruxelas, muitos são os que se surpreenderam com o fato de que este enfrentamento entre Cameron e seus sócios comunitários tenha levado tanto tempo para acontecer desde sua chegada ao governo britânico, em maio de 2010. 

Eleito com um programa reticente com a UE, no qual pedia que fossem reexaminadas as relações entre Londres e Bruxelas, o líder conservador se distinguiu rapidamente por suas reservas com relação a UE. 

Entre as principais medidas adotadas pela UE nesta sexta-feira estão o empréstimo de 200 bilhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o adiantamento da implantação do Mecanismo de Estabilidade Financeira (MEDE) e um acordo para chegar a um pacto fiscal e governança reforçada para estimular a disciplina orçamentária, do qual só a Grã-Bretanha ficará de fora.