Tombini: medidas para câmbio ajudarão meta de inflação
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse nesta quinta-feira que as medidas anunciadas mais cedo para posições de câmbio vendidas, com validade a partir de 4 de abril, têm como objetivo criar condições para se atingir a meta de inflação de 4,5% ao ano em 2011.
Nesta quinta, o BC anunciou uma medida para tentar conter a queda do dólar e vai obrigar os bancos que quiserem vender mais dólares que comprar a depositar compulsórios - depósitos obrigatórios feitos pelas instituições como garantia de transações financeiras.
Tombini recomendou que instituições financeiras, empresas e população tenham cautela para lidar com o dólar. Segundo ele, o valor de câmbio da moeda estrangeira é flutuante e pode subir ou descer. "O câmbio flutua para os dois lados. Os cidadãos e empresas têm de ter cautela quando assumem compromissos em moeda estrangeira. É sempre bom lembrar que uma tendência de curto prazo não quer dizer que vai se prolongar no tempo", afirmou.
Segundo ele, as medidas só serão válidas a partir de abril para conceder tempo às instituições impactadas para ajustes. "Medidas prudenciais como essas vêm para aumentar o nível de segurança e assegurar a estabilidade da economia no País, e por isso não podem provocar distúrbio nas condições atuais do mercado", disse Tombini.
Caráter prudencial
Tombini lembrou que a medida anunciada hoje tem caráter prudencial. Isso porque, segundo o presidente do BC, a quantia de dólares negociada diariamente pelo sistema financeiro nacional não corresponde ao valor que foi registrado no fim de 2010: um total de US$ 16,8 bilhões vendidos.
"Temos um mercado à vista de câmbio que gira, diariamente, em US$ 2 bilhões. Então o Banco Central entendeu que essa dimensão de posição vendida (dólares vendidos) estava superdimensionada em relação ao tamanho do mercado e, por isso, anunciou essa medida. Acreditamos que as instituições vão se ajustar e ficarão mais em linha com o que é a realidade", disse.
O presidente do BC deu sua primeira entrevista depois de empossado como presidente da autoridade monetária nesta quinta-feira. O presidente da autoridade monetária não quis comentar o futuro da taxa básica de juros (Selic). "O Comitê de Política Monetária (Copom) vai se reunir em duas semanas e decidirá sobre isso", afirmou.
Tombini negou também que o crédito ao consumidor diminuia em 2011. "Em nenhum momento eu disse que o crédito ao consumo vai cair. Ele vai crescer. Mas vai crescer agora em taxas mais moderadas", disse.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que as medidas adotadas pelo governo visam a limitar a pressão de alta sobre o real.
Medidas
O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira que as instituições financeiras deverão recolher junto à autoridade monetária, sob forma de compulsórios, 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida (aposta em queda do dólar ante o real) que exceder o menor dos seguintes valores: US$ 3 bilhões ou o patrimônio de referência. O compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado. Os bancos terão 90 dias para se adequar à regra.
O BC espera reduzir as posições vendidas do sistema, que em dezembro de 2010 alcançaram US$ 16,8 bilhões. Segundo o diretor de política monetária do BC, Aldo Mendes, o banco que quiser ter mais dólares em posição vendida do que comprada vai precisar depositar este compulsório.
