IOF deve ter efeito limitado sobre a apreciação do real

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SÃO PAULO, 5 de outubro de 2010 - Em relação à sistemática apreciação da moeda brasileira, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem o aumento de 2% para 4% da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nas aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa.

Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, provavelmente esta medida terá efeito limitado sobre a apreciação da moeda brasileira, tendo em vista que este movimento - que tem impactado a grande maioria das moedas emergentes - tem sido essencialmente impulsionado pelo enfraquecimento do dólar, em um contexto em que o Federal Reserve (Fed, banco central americano), vem tomando medidas adicionais de afrouxamento quantitativo.

Segundo Mantega, o objetivo do governo é diminuir a diferença entre a taxa de juros praticada no Brasil e aquela vigente em outros países, evitando maior valorização do real.

A equipe econômica do Bradesco ressalta ainda que além disso, a medida deverá ter um efeito temporário (e curto) sobre a taxa de câmbio, principalmente porque os fluxos mais promissores para o próximo ano são de investimento estrangeiro direto e ações, que não serão afetados por esta medida. "Ainda assim, a tentativa de conter a valorização do real está em linha com diversas outras medidas intervencionistas anunciadas por outros países nas últimas semanas, visando suavizar o movimento de suas moedas diante dos desequilíbrios globais que têm levado à sistemática depreciação do dólar no mundo", friza o relatório do Bradesco.

(MLC - Agência IN)