Deterioração manufatureira dos EUA pressiona Ibovespa
Os investidores digerem com apreensão os dados da economia dos EUA. O setor manufatureiro apresentou forte arrefecimento nos últimos dois meses, assertiva ratificada após a divulgação dos índices de Nova York e Filadélfia. Os dois dados registraram retração no mês de julho ante junho, coincidentemente ambos apontando o valor de 5,1 pontos, o que contrariou todas as expectativas do mercado que aguardava alta. O destaque ficou por conta de NY que declinou quase 15 pontos, quando se esperava que marcasse 18,5 pontos.
"O impacto negativo é evidente no mercado brasileiro, os principais indicadores dos EUA informados hoje vieram abaixo do esperado. Os dados do FOMC [que diminuiu a previsão de crescimento do PIB do país] mais as informações macroeconômicas sugerem aos outros países que não é possível confiar na economia norte-americana para restabelecer o crescimento mundial", afirma João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos.
Internamente, o principal índice acionário da BM&FBovespa já abriu a sessão de hoje em queda, impactado pelos números da China, grande compradora de commodities. Apesar dos dados terem vindo em patamares bastante positivos, de acordo com André Perfeito, economista da Gradual Corretora, houve indicação de acomodação do crescimento chinês. No entanto, ele reitera que 10,3% de expansão da economia no segundo trimestre frente ao primeiro revela a determinação (bem sucedida) de Pequim em frear o ritmo de crescimento. O mercado esperava alta de 10,5%.
Brugger também aponta exagero na reação dos investidores. "Desde o começo do ano o governo chinês anuncia que vai conter o crescimento para evitar inflação e outros problemas cambiais. Os investidores sobrevalorizaram o ínfimo recuo apresentado no PIB do país".
Entre as maiores perdas no Ibovespa estavam, há pouco, as ações (ON) da CSN com recuo de 2,23%, Sabesp (ON) em -2,05%, as (PN) da Vivo em -2,06%, Natura (ON) em -2,02 e Fibria (ON) em -1,95%. O destaque positivo fica por conta da ações ordinárias da PDG, em alta de 3,38%, as (ON) da MRV caindo 3,10%, as (PN) da TAM e GOL em 2,67% e 2,66%, respectivamente.
A reação tanto no Ibovespa quanto das principais bolsas mundiais contrariam os balanços corporativos, que registram até o momento, ganhos excepcionais. O mercado ainda aguarda os resultados do Bank of America, do Citigroup e do Google, que saem ainda nesta semana.
(Sérgio Vieira - Agência IN)
