São Paulo perde 101 mil vagas com carteira assinada

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SÃO PAULO, 30 de junho de 2010 - A cidade de São Paulo perdeu no mês de maio mais de 101 mil postos de trabalho no segmento privado (2,1%) e abertura de apenas 33 mil vagas sem carteira assinada e autônomos (alta de 3,2%), ambos na comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os autônomos tiveram incremento de 31 mil vagas, no mesmo período.

No conjunto das sete regiões pesquisadas. A taxa de desemprego total ficou praticamente inalterada em 13,3% no mês de maio maio frente os 13,2% de abril. Alexandre Loloian, coordenador Fundação Seade, essa redução do número de empregados com carteira assinada no quinto mês do ano não é incomum se analisarmos os dados da série histórica do setor privado desde 1997.

"A atividade no primeiro trimestre do ano é comumente bastante intensa. O que achamos é que houve um processo de acomodação após a retirada de uma série de incentivos que estimulavam os setores industrial e de serviço", avalia. Segundo Loloian, os dados precisam ser analisados com bastante cautela pois não há nenhum indicador que aponte degradação do mercado de trabalho. "Em princípio, não é prenúncio de um processo de recuo de empregos. Após a Copa, as coisas tendem a voltar para o normal por que não há nenhum sinal 'fora da curva' que indique deterioração do nível de empregos".

"A redução do assalariamento em São Paulo ocorreu numa proporção anormal", apontou Patrícia Lino Costa, coordenadora do Dieese. No entanto, destacou que o movimento atípico da Região Metropolitana mais rica do País não se verificou nas outras áreas observadas.

Na análise por setores da economia, o Comércio apresentou diminuição de 57 mil vagas (1,8%), a Construção Civil teve queda de 21 mil vagas (1,7%) em maio ante abril. Para Loloian, o Comércio foi certamente o grande destaque negativo já que o setor registrava fortes taxas de crescimento e retraiu por conta da intensa redução nas vendas gerais.

Apesar do dado ter vindo relativamente ruim na comparação mensal, em todas as regiões pesquisadas houve comportamento positivo do nível de ocupação na comparação anualizada. Em Fortaleza teve alta de 7,7%, no Distrito Federal de 5,8%, Recife de 5,8%, Salvador de 5,6%, São Paulo 3,0%, Porto Alegre de 2,5% e Belo Horizonte de 0,8%.

(Sérgio Vieira - Agência IN)