Mudanças no sistema financeiro dos EUA já estariam sendo absorvidas

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Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - O Congresso americano deve aprovar terça-feira o projeto de lei que visa impedir nova crise financeira, como a de 2007, e faz com que Wall Street seja mais transparente. Na sexta-feira, os legisladores acertaram um texto de compromisso.

O projeto prevê a criação de uma agência de proteção financeira ao consumidor com poderes para reprimir práticas abusivas de companhias de cartão de crédito e hipotecas.

Um ponto do projeto é o maior controle do mercado de derivativos, que movimenta US$ 600 trilhões, e que os bancos estarão limitados a investir 3%.

A reforma do sistema financeiro americano está sendo ofuscado pela crise na Europa e diluindo o impacto positivo sobre os mercados. Na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), o Dow Jones teve um pregão com leve baixa de 0,09%, aos 10.143 pontos. O Nasdaq avançou 0,27%, fechando aos 2.223 pontos.

O economista Manuel Nabais da Furriela, coordenador da Faculdade de Relações Internacionais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), ressalta que a reforma do sistema financeiro americano deve servir de exemplo para outros países. Mas, para ele, o Brasil já tem sistemas rígidos de controle destas instituições e não deve sofrer impactos.

As normas atendem às necessidades americanas para evitar outra crise como a de 2007 avalia Furriela. O próprio G-20 destacou a importancia de reformar o sistema financeiro internacional, como o Banco Mundial e o FMI.

Marco Aurelio Cabral, professor da UFF considera a reforma insuficiente para controlar os sistema financeiro americano. Para ele, a gravidade da crise demanda medidas mais enérgicas, como o controle do livre fluxo de capital de paraísos fiscais.

A medida tem apelos políticos e é superficial avalia Cabral. É preciso o esforço dos bancos centrais de diversos países para coibir o liberalismo financeiro em capital de risco.

Robson Gonçalves, da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que o mercado já está trabalhando com a aprovação do projeto, o que evita maiores oscilações. Gonçalves explica que a reforma cria formas efetivas para que o Federal Reserve (FED) consiga controlar as instituições financeiras, evitando outra crise.

As regras prudenciais não estavam sendo cumpridas diz Gonçalves. Os EUA assinaram o Protocolo da Basileia, que prevê a transparência bancária.