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Pessimismo derruba bolsas

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Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - As bolsas no mundo caíram sexta-feira com declarações pessimistas do novo governo da Hungria sobre déficit público e a retomada pouco vigorosa do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Para completar o rol de pessimismo, houve comentários de que o banco francês Société Générale poderia apresentar novas perdas pesadas com derivativos. A Bovespa acompanhou o movimento e teve o pior dia em duas semanas, mesmo com a alta das ações da Petrobras, que impediram uma queda maior.

Pressionado principalmente pela blue chip Vale, o Ibovespa tombou 2,01%, aos 61.675 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,16 bilhões. O dólar fechou em alta de 1,75% cotado a R$ 1,859. A moeda americana acumula valorização de 6,7% no ano.

Número mais aguardado da semana, o relatório de emprego nos EUA apontou a criação de 431 mil vagas em maio. Embora tenha sido o maior volume mensal de contratações em mais de 10 anos, o número frustrou a média dos analistas, que esperavam 513 mil novos postos de trabalho.

Os números de emprego de maio revelam a fragilidade da recuperação da economia disse em relatório o BofA Merrill Lynch, resumindo a reação de Wall Street, onde os principais índices de ações despencaram mais de 3%.

Se de um lado a expectativa de recuperação vigorosa da maior economia do mundo sofreu um revés, de outro a esperança de que a crise europeia tivesse passado do pior momento se apagou, após declarações desencontradas de membros do novo governo da Hungria, sugerindo que o país pode seguir a Grécia, que beirou o colapso devido à crise fiscal.

O novo governo disse que vai anunciar em breve um plano de ação para resolver os problemas da economia, depois de publicar os dados sobre o verdadeiro estado do orçamento de 2010 neste próximo final de semana ou no início da semana que vem.

O mercado até esboçou alguma recuperação, mas o noticiário corporativo e econômico não deu trégua disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.

O euro chegou a cair abaixo de US$ 1,21 pela primeira vez desde meados de abril de 2006 devido aos temores sobre a crise da dívida europeia.

Na bolsa paulista, as ações ordinárias (com direito a voto) da Vale caíram 4,72%, a R$ 47,59. MMX, a pior do Ibovespa, teve desvalorização de 5,21%, a R$ 10,37.

O desempenho do índice só não foi pior devido à Petrobras, cuja ação preferencial subiu 0,52% para R$ 29,25, mesmo numa dia em que a cotação do petróleo desabou 4,92%.

Descoberta de óleo

A nomeação dos bancos que farão a capitalização da Petrobras e o anúncio de mais uma descoberta no pré-sal de Campos mantiveram as ações da companhia em alta sexta-feira, apesar da queda do petróleo e do mau humor no mercado.

Segundo operadores, a entrada da estatal em período de silêncio, devido à oferta pública de ações, aliviou o mercado, desfez temores de adiamento da operação por causa da volatilidade.

No dia 22 de junho a Petrobras realiza assembléia extraordinária para aprovar o aumento de capital de R$ 60 bilhões para R$ 150 bilhões, viabiliando assim o aumento de capital. No próximo dia 9, o Senado deve votar a capitalização da companhia, em projeto que inclui a cessão onerosa.

Hungria ainda não oferece grandes riscos

Marta Nogueira

Para especialistas ouvidos pelo JB, a economia húngara é ainda muito pequena e não oferece grandes riscos para o resto do mundo. Os problemas no país começaram a aparecer quando estourou a a crise financeira nos Estados Unidos e prejudicou a nação no mercado financeiro.

A Hungria, em fase de integração com a União Europeia desde 2004, é o primeiro país fora do bloco a apresentar problemas financeiros decorrentes da crise econômica da Grécia. Segundo Manuel Nabais da Furriela, coordenador de relações internacionais das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), por muitos anos o país se beneficiou de capital especulativo e foi impactado pela crise do mercado financeiro que teve inicio em setembro de 2007 nos Estados Unidos.

A economia húngara é uma das menores na Europa e não vai causar grandes estragos. É apenas mais um sinal de que esta crise vai continuar crescendo.

Para Furriela, a situação da Hungria não deve parecer com a da Grécia, que teve problemas em virtude do descontrole dos gastos públicos.

O país tem mais chances de se recuperar, já que recebe ajuda financeira da UE, tem salários baixos e deve manter a competitividade nas exportações avalia Furriela. Inicialmente, a crise grega não parecia ser não grave e, no entanto, resultou na criação de um fundo do tamanho da economia do Brasil.

Coordenador de relações internacionais do Ibmec/RJ e Ibmec/MG, Jose Luiz Niemeyer, lembra que todos os países do leste europeu estão com problemas. Quando ficaram independentes da União Soviética, no pós-Guerra Fria, estavam muito despreparados para enfrentar o comércio e as relações com o resto do mundo. Hoje, ainda não desenvolveram uma política de livre iniciativa forte, empreendedorismo e artifícios que incentivam a evolução do país.

Foram anos de regime fechado e eles ainda apresentam pouco desenvolvimento financeiro lembra o Niemeyer.

Ele destaca que a integração de países como Hungria e Bulgária à UE pode não se concretizar. Para ele, é um momento crucial para o bloco decidir o seu desenvolvimento.

Ou eles vão continuar se expandindo, agregando novos países, ou vão preferir aprofundar as bases do sistema ressalta Niemeyer. Para a Alemanha, a integração dos países do leste europeu pode ser interessante por causa da geopolítica. São países próximos que podem defender seus interesses.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que o Brasil tem muito a perder com a expansão da crise econômica. Com a insegurança do mercado, a demanda internacional diminui e prejudica as relações comerciais brasileiras. O efeito de contágio que estamos observando é muito preocupante , declarou Castro.