Moody's afirma que aquisição da Vivo favoreceria Telefónica

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SÃO PAULO, 17 de maio de 2010 - A Telefónica fez uma oferta em dinheiro de ? 5,7 bilhões para comprar a participação restante de 50% na Brasilcel, a joint-venture com a Portugal Telecom. A Brasilcel tem o controle acionário da Vivo Participações SA, maior operadora móvel do Brasil, aquisição esta que daria à Telefónica o controle total da Vivo. O conselho da PT rejeitou a oferta não solicitada, mas continua a ser válida até 06 de junho, e a diretoria ainda pode aceitá-la.

Segundo relatório da Moody's, o negócio faz sentido estratégico para a Telefónica, uma vez que reforçaria a sua posição competitiva no crescente mercado móvel brasileiro. A Telefónica pretende financiar a operação inteiramente da dívida e tem flexibilidade financeira suficiente para fazer esta compra ao preço da oferta atual.

No geral, a agência de classificação de risco acredita que o movimento de crédito seria positivo para a Telefónica, "a empresa melhoraria qualquer deterioração marginal financeira devido à dívida de financiamento".

A espanhola Telefónica está buscando maneiras de consolidar o seu negócio na América Latina. "A propriedade da Vivo permitiria a fusão com a Telesp, a sua operadora de telefonia fixa brasileira, criando um poderoso negócio integrado, que ofereceria pacotes de serviços mais competitivos", analisa Carlos Winzer.

A agência aponta ainda que "a Telesp tem uma quota de mercado de cerca de 29% no Brasil, o que contribuiria com cerca de 15% das receitas do grupo Telefónica, com 10% provenientes da Telesp e 5% da Vivo".

A oferta envolve um pagamento em dinheiro antecipado no valor de ? 5,7 bilhões para PT e de ? 600 milhões para as partes interessadas das minorias, além de assumir toda a dívida da Vivo.

De acordo com a Moody's, ao todo, a operação representará um aumento da dívida da Telefónica de cerca de ? 7 bilhões. Esta negociação representa um prêmio de 145% sobre o preço médio da ação da Vivo em abril, e um múltiplo de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 2009 de 10x o Ebitda da Vivo.

(SV - Agência IN)