Expansão econômica chinesa deve ser vista com cautela
De acordo com Milton Wagner, sócio-diretor da Consultoria Wagner Investimentos, "a inflação comportada indica que a China ainda tem espaço para crescer sem que se preocupe, única e exclusivamente, com as questões relacionadas à pressão inflacionária".
Já na opinião de Adriano Moreno, Estrategista Econômico da Futura Investimentos, é preciso manter uma política mais austera para conter o superaquecimento - expressão que o especialista utilizou. "Crescimento de dois dígitos não é sustentável, não devemos encarar os dados de inflação apenas como 'retrovisor', é preciso perceber que ações corretivas são inevitavelmente necessárias", afirma.
Os elevados índices registrados ocorreram em decorrência dos programas oficiais do governo para acelerar o consumo e evitar que os efeitos da crise financeira internacional fossem severos internamente. No entanto, Pequim já havia diminuído o ritmo de empréstimos para desaquecer a economia. "Apesar da queda no ritmo dos empréstimos no mês passado, passando de 700 bilhões de iuans para 510 bilhões de iuans, o consumo permaneceu bastante expressivo", salientou Wagner.
Wagner acredita ainda que estes números forçam a China a investir em ativos no curto e longo prazo, atividade que pode beneficiar o Brasil, já que a Europa enfrenta problemas e os valores não estão convidativos para investimentos nos Estados Unidos. "Os chineses já negociam em projetos siderúrgicos e de telecomunicação por aqui. Após Canadá, os papéis do Brasil despertam o interesse crescente de Pequim".
Além disso, o sócio diretor da Consultoria Wagner Investimentos aponta para outra questão chave: a desvalorização do iuan. "O [Timothy] Geithner esteve na China há pouco tempo na tentativa de que o governo chinês desvalorizasse o iuan sem a necessidade de ações protecionistas. Se isso ocorrer, países exportadores de commodities, como o Brasil, também serão beneficiados".
Apesar dos dados positivos, o consenso do mercado é que mudanças na taxa de juros e no câmbio realmente ocorram no próximo trimestre para diminuir o compasso chinês.
"Não há milagre. A China vai ter de realizar medidas econômicas ortodoxas para assegurar crescimento de forma saudável. Aumentos do compulsório, dos juros, revisão no câmbio etc. Combates clássicos para evitar que a expansão do seu mercado se torne também o vilão da própria economia", avalia Adriano Moreno.
(Sérgio Vieira - Agência IN)
