Varejo surpreende e mercado espera alta maior dos juros

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SÃO PAULO, 14 de abril de 2010 - O resultado das vendas no varejo surpreendeu para cima, dando forças à ala do mercado que espera um ajuste mais forte na taxa Selic, fixada em 8,75% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês. Na BM&FBovespa, as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sinalizaram alta. O DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais negociado com mais de 400 mil transações efetuadas e giro de R$ 41,3 bilhões, apontou taxa anual de 10,65%, ante 10,57% do ajuste anterior.

Os agentes financeiros permanecem divididos quanto à magnitude da primeira alta nos juros, se 0,5 ou 0,75 ponto percentual, no entanto, segundo Armando Luppi Vanni, operador da Incentivo S/A DTVM diante do resultado divulgado hoje das vendas no varejo acima do esperado, cresceram as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) será mais agressivo para conter o aquecimento da economia e da inflação. Para ele, o Comitê elevará os juros em 0,75 ponto na reunião do Copom agendada para o dia 27 e 28 de abril.

Nesta manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume das vendas no varejo brasileiro registrou acréscimo de 1,6% em fevereiro deste ano, na comparação com janeiro, em dados ajustados sazonalmente, superando o teto das expectativas do mercado (1,40%).

O mercado ficará atento ao resultado da prévia de abril do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deverá vir ainda pressionado pela alta dos alimentos. Amanhã o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) divulgará o resultado do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), referente ao período entre 11 de março e 10 de abril, expectativa de alta de 0,56%.

Hoje o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que o Brasil pode ter sua avaliação de dívida elevada, depois de ter passado bem pela crise financeira mundial.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)