Moeda criada por Brasil e China seria inviável, diz economista

Por

Portal Terra

DA REDAÇÃO - O economista Maurício de Paula Pinto, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), afirma que não há viabilidade para a criação de uma moeda "sino-brasileira" (entre Brasil e China), a menos que esses países queiram permanecer no "plano limitado das moedas-convênio usadas no passado, no comércio do Brasil com antigos países socialistas, e que deram resultados indesejados".

Representantes dos países que integram o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) se reunirão em Brasília nesta semana. A pedido dos chineses, estará na mesa a proposta de escolher uma moeda que não seja o dólar para trocas comeciais entre os países. Para o professor, a aceitação irrestrita da moeda requer que seu poder aquisitivo seja estável e que ela possa ser trocada por uma ampla variedade de bens.

- Às vezes, se fala da criação de uma nova moeda internacional sem cuidar da viabilidade da proposta. Para qualquer bem ser usado como moeda, ele deve ser aceito sem restrições para quitar os débitos decorrentes das transações econômicas - disse o professor.

Segundo ele, essas condições se referem à aceitação da moeda no âmbito do país que a emite. Requisitos adicionais se acrescentam à aceitação de uma moeda no plano internacional, pois é necessário que ela possa ser trocada sem restrições pela ampla variedade de bens produzidos e consumidos mundialmente, isto é, o país que emite uma moeda internacional deve ser capaz de oferecer a ampla variedade de bens e de ativos financeiros que participam do mercado mundial, e esses bens devem ser comprados ou vendidos pelo país de forma irrestrita. Ou seja, o país deve ser integrado ao livre comércio e à liberdade de investimentos no plano mundial.

- Quando se trata de uma moeda internacional emitida não por um país único, como é o caso do dólar, mas por um grupo de países, como é o caso do euro, requisitos adicionais são necessários, pois os países integrantes do grupo emissor da moeda devem abrir mão, pelo menos parcialmente, de sua autonomia. O Brasil e a China não têm produção suficientemente ampla e variada para sustentar uma moeda internacional, e é discutível se esses países querem e podem harmonizar suas políticas macroeconômicas.