Medicamentos: diferença de preços chega a 49,39%

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Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - A diferença dos preços de medicamentos pode chegar a 49,39% no Rio de Janeiro, na comparação de uma cesta com 15 remédios, desde analgésicos até anti-hipertensivos, de acordo com pesquisa da Pro Teste, associação de defesa do consumidor. O levantamento foi feito no mês passado em 14 farmácias. Com as margens diversas, as grandes redes tiraram espaço das pequenas drogarias e ampliaram em 24,6% o faturamento de 2009, acima da média do segmento, que teve expansão de 14%, segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

A Pro Teste encontrou a cesta mais em conta no Rio por R$ 581 na rede Pague Menos, com 350 lojas no país. Segundo o presidente do grupo, Deusmar Queirós, a agressividade de baixar preços atrai clientes para as grandes redes. Ele explica que o objetivo é diminuir o lucro por unidade para ganhar no volume de vendas.

O grupo Pague Menos foi o maior em faturamento e pretendemos continuar crescendo. Para isso, vamos abrir 40 lojas este ano, e 50 em 2011 destaca Queirós.

A Pro Teste também pesquisou preços em outras cinco capitais, e o Rio foi a quinta cidade em discrepância de valores. A maior diferença de preços, de 76,43%, foi registrada em São Paulo. O valor máximo para a cesta carioca é de R$ 755,15, correspondente à soma do limite permitido pelo governo para os 15 remédios.

A coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci, destaca que o cliente precisa ficar atento ao preço de cada produto, já que nenhuma farmácia pesquisada tem todos os medicamentos da cesta com o custo mais baixo.

Ela explica que, como os valores fixados pelo governo são altos, os descontos oferecidos pelas drogarias são variados e mesmo redes mais em conta podem vender medicamentos mais caros.

As lojas negociam os preços com os fornecedores e fixam os valores de acordo também com a margem de lucro. Às vezes, dois remédios baratos escondem o preço alto de outro avalia Maria Inês.

No Rio, a cesta de medicamentos com sete genéricos fica 8,33% mais barata (R$ 505,46) que a com todos os remédios de marca (R$ 547,59). Além de pesquisar o valor em quatro farmácias diferentes, o aposentado Ilmo Engelhardt, de 69 anos, fez cartão de desconto de algumas redes para reduzir seu custo com os medicamentos.

A diferença de preços é muito grande de loja para loja, por isso, comparo muito e peço descontos. Gasto R$ 600 em média por mês com remédios, mas o valor pode ser maior dependendo do período explica Engelhardt.

As 28 redes associadas à Abrafarma venderam R$ 14,4 bilhões no ano passado. Os medicamentos representaram mais de R$ 10 bilhões, 72,56% do total. A venda dos não medicamentos também aumentou, 24,11%, e a participação da categoria na receita geral chegou a 27,44%. A comercialização de genéricos foi de R$ 1,46 bilhão, índice 23,54% superior ao de 2008.

Capacidade de negociar

O presidente executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, destacou que as redes estão ganhando mercado das pequenas farmácias, já que, além da capacidade de negociar grandes volumes reduzindo os preços, dificilmente não têm produtos que os consumidores precisam.

O aumento da renda da população é outro fator que contribui para a expansão do setor, já que a população tem maior condição financeira para cuidar da saúde avalia Mena Barreto.

A aposentada Maria Tereza Soares, de 64 anos, gasta R$ 300 por mês em remédios. Ela explicou que usa medicamentos para hipertensão, com subsídio do governo do programa Farmácia Popular. Se não tivesse os descontos que peço e os do governo, acho que gastaria uns R$ 200 a mais .

Indústria deve se consolidar com novas aquisições

A consolidação da indústria farmacêutica deve se intensificar nos próximos anos com a aquisição de concorrentes, segundo o estudo Painel da Indústria Farmacêutica da Business School São Paulo (BSP). O diagnóstico analisou 27 empresas que representam 40% do mercado farmacêutico brasileiro.

Para o professor José Fernando Ramadinha, a estabilidade econômica nacional e o aumento da renda da população contribuíram para ampliar o acesso aos planos de saúde e aos medicamentos. Com isso, a indústria farmacêutica está mais forte e expande-se no país, destaca o professor.

Cerca de 81,82% das empresas pretendem investir parte do lucro no país. As fusões e aquisições são soluções para enfrentar a dificuldade de lançar novos medicamentos, enfrentadas por empresas de todo o mundo avalia Ramadinha.

Ele destaca que, para crescer este ano, as empresas estão estudam outras formas de parcerias para o desenvolvimento de produtos específicos, compartilhamento de ações de marketing e busca de recursos para pesquisa e desenvolvimento de medicamentos.