Real descola de demais emergentes e sobe face dólar nesta manhã

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SÃO PAULO, 11 de março de 2010 - O otimismo de ontem dá lugar à cautela nesta manhã, após os dados chineses reforçarem os temores de novas medidas de aperto monetário no país. As bolsas europeias e os mercados futuros dos EUA operam em baixa, enquanto as cotações do petróleo e do ouro recuam, favorecendo o dólar, que se valoriza frente as principais divisas do mundo tais como iene, euro e libra, além de moedas de países emergentes. Por aqui, no entanto, o dólar cedia 0,23%, a R$ 1,768 na venda.

Em fevereiro, os dados de inflação da China surpreenderam para cima em meio à uma atividade em forte expansão. O índice de preços ao consumidor (CPI) fechou em 2,7% (acumulado em 12 meses), contra projeção de 2,5%, e 1,5% da medição anterior. O PPI ficou em 5,4% contra projeção de 5,1% e 4,3% da medição anterior.

No lado da atividade, os investimentos urbanos em ativos fixos subiram 26,6% no bimestre contra o mesmo período de 2008, acima do esperado (25,6%); a produção industrial mostrou alta de 20,7% na mesma comparação, também acima do esperado (19,5%). Já as vendas no varejo subiram 17,9% no bimestre, um pouco abaixo do consenso (18,7%).

A concessão de novos empréstimos que teve um resultado recorde na apuração anterior para meses de janeiro (1,4 trilhões de yuans) caiu pela metade em fevereiro, 700 bilhões de yuans, mas ficou acima do esperado (600 bilhões de yuans). No geral, os resultados mostraram piora na inflação combinado com aceleração do crescimento, quadro que alimenta ainda mais a possibilidade de aperto monetário.

Os players ainda terão que avaliar as leituras finais do PIB do quarto trimestre dos problemáticos Grécia e Portugal, além de continuar monitorando a questão dos fortes déficits fiscais não só desses países, como também de algumas economias centrais.

"Embora a combinação dos dados chineses traga em si esta possibilidade de aperto monetário maior, não podemos nos esquecer o lado positivo dos dados. O estupendo crescimento chinês é um fator importante para a recuperação mundial", destaca a AGK corretora.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)