Acadêmicos apóiam ajuda de escola de administração para gestão do país

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Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - O crescimento econômico do país precisa ser planejado para ter resultados além dos índices e deve ser feito de forma sustentável para que possa ser distribuído a todos com mais igualdade. É o que defende um grupo de acadêmicos que prepara uma carta-documento para ser distribuída a governantes, parlamentares e sociedade. O grupo defende a cooperação das escolas de administração para a gestão do país. Para isso, os acadêmicos precisam ter acesso aos documentos públicos, o que ainda evitaria corrupção.

Para traçar uma plano e elaborar a carta-documento, a Escola de Administração da UFBA, a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da FGV-RJ e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV-SP realizam um encontro intitulado Administração para o Desenvolvimento, sexta-feira e sábado, em Pernambuco.

A construção de escolas a cada novo governo, sem fazer uma análise da capacidade atual das salas existentes, é citado como falta de planejamento pelo diretor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Reginaldo Souza Santos. Segundo ele, é preciso avaliar as condições das instituições e descobrir por qual motivo que não estão sendo usadas. Ele questiona por qual razão, são construídos novos prédios e não são feitas reformas.

Desperdícios como esse poderiam ser evitados se existisse um projeto maior para o Brasil. Por isso, defendemos maior integração de universidades de administração para o desenvolvimento de projetos nacionais.

Segundo o grupo, o estado brasileiro passou por sucessivas crises nos últimos 30 anos, que foram analisadas e pesquisadas por diferentes campos do conhecimento com a finalidade de que se entendesse melhor a conjuntura dos processos que levavam a tais situações. Entretanto, a administração jamais se pronunciou a respeito dos problemas do país.

O objetivo dos acadêmicos é que a administração dê a sua contribuição não apenas com uma análise crítica da organização do Brasil, mas com propostas efetivas, para assumir seu papel como gestora das relações sociais, tornando-se, deste modo, uma administração política.

Para Santos, falta conexão dos projetos governamentais. Ele destaca que não pode ter crescimento de economia sem melhorias para toda a sociedade. E cita que o Brasil possui atualmente grandes projetos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o pré-sal, que, embora importantes, não estão conectados.

Independente de ideologias políticas, é preciso um propósito para o país, que possa existir mesmo que mude os governantes. O projeto para a construção de melhores condições de distribuição da renda e da riqueza deve ser iniciado urgentemente defende.

Santos ressalta que a cada governo são construídas novas pontes, estradas, hospitais e escolas, mas não é feito um estudo sobre qual é a capacidade das cidades e se existe realmente a necessidade de novos projetos. Ele questiona ainda a falta de uma discussão sobre os erros cometidos, que levaram ao abandono de alguns projetos.

A professora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Zilma Borges explica que o livre acesso às políticas públicas é determinante para que os acadêmicos contribuam com a gestão pública. De forma que não se pense apenas no resultado financeiro, mas também nas necessidades práticas da população. A redução da corrupção seria uma consequência da proposta, afirma Zilma.

Segundo ela, um dos objetivos da carta-documento é fortalecer a administração, tornando-a co-responsável do desenvolvimento do país. Pretendemos incluir a sociedade em um debate sobre a gestão atual e a necessidade de planejamento público.

Ela destaca que coordenar os cursos para contribuir com a administração pública não seria difícil, já que diversos estudos são produzidos pelos acadêmicos, que poderiam ser direcionados para a gestão política.

O professor da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Paulo Emílio Martins afirma que com planejamento e administração é possível que o país cresça com algum significado, que resulte em melhorias para toda a sociedade. Martins, no entanto, disse que, por o país estar em um estágio atrasado em relação à distribuição de riquezas, vai ser necessário maiores esforços para construir uma sociedade mais igualitária. O objetivo é orientar o estado com ações práticas de planejamento e desenvolvimento.