Mercados operam no negativo e dólar dispara

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SÃO PAULO, 17 de dezembro de 2009 - O pessimismo toma conta dos mercados nesta quinta-feira um dia após o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) manter a taxa básica de juros próxima de zero e confirmar a retirada de linhas de crédito e financiamento em fevereiro de 2010.

Pelo mercado, o anúncio é encarado como um primeiro passo antes da alta de juros, o que dá forças ao dólar frente a seus principais concorrentes e penaliza as bolsas e commodities. Há pouco, a moeda norte-americana disparava 2,29%, a R$ 1,79 na venda. Lá fora, o dólar opera em patamares não registrados em três meses contra o euro. Para uma outra corrente, no entanto, o fim dos estímulos é natural, já que a economia dos EUA dá sinais de recuperação. No comunicado pós reunião, o Fed disse que há sinais recentes de que a economia do país está ganhando força e que a deterioração do mercado de trabalho está diminuindo.

No entanto, o aumento dos pedidos por seguro-desemprego na última semana colocou novamente em dúvida a recuperação da economia norte-americana, principalmente no mercado de trabalho.

Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK corretora, a medida provisória 472 publicada hoje no diário oficial e o rebaixamento do rating da Grécia também pressionam o câmbio. A MP limitou o volume de remessa de juros ao exterior que poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda (IFPJ) e da CSLL a serem recolhidos no Brasil. "Na prática, essa medida vai dificultar os empréstimos feitos pelas matrizes às suas filiais, cujos recursos eram aplicados no mercado financeiro e cujos ganhos financeiros eram devolvidos na forma de pagamento de juros do empréstimo, o que pode ser considerado um abuso cometido no mercado", avalia.

Destaque ainda para a Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que apontou uma economia mais promissora em relação à demanda, porém ainda enfatiza a presença de ociosidade dos fatores de produção. No que diz respeito às pressões inflacionárias, o BC continua apontando baixo risco, o que sugere manutenção da taxa de juros no atual patamar no curto prazo.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)