Setor privado atribui resultado positivo a medidas do governo
Raphael Zarko e Gabriel Costa, Jornal do Brasil
RIO - Medidas governamentais de estímulo ao consumo tiveram peso importante para a melhora do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, na avaliação de entidades que representam diferentes setores de produção e serviços. Representantes de empresas ponderam, porém, que o crescimento de 1,9% do PIB entre abril e junho, na comparação com o primeiro trimestre ainda não indica que a crise tenha ficado completamente para trás.
Para a construção civil, os dados do PIB, por uma questão metodológica, ainda não capturam a melhora real na indústria.
Importantes indicadores como o de emprego, resultados de sondagens com empresários e o nível de estoques de certos produtos mostram que a construção não sentiu tanto a crise afirmou o diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP), Eduardo Zaidan.
Para o economista, houve um recuo "importante" no volume de lançamentos imobiliários entre setembro e março.
Ainda assim, a injeção de recursos promovida pelo governo desempenhou papel relevante para que a indústria da construção civil não sentisse tanto assim a crise tão profundamente acrescentou.
Para o SindusCon-SP, o PIB das construtoras no ano tende a ser positivo.
Houve, de fato, retomada. Mas a taxa de investimento ainda é baixa e é preciso observar o comportamento dessa taxa nos próximos meses analisou o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), comenta que a indústria somente deverá apresentar resultado positivo na comparação anual em 2010. Já a Abras, que no início do ano previa crescimento de 2,5% nas vendas reais dos supermercados neste ano, revisou na metade do ano a projeção para alta de 4,5%.
A redução de impostos em áreas estratégicas tem participação forte na reversão da tendência do PIB. Há recuperação lenta e gradual, mas o desempenho ainda está bastante aquém de 2008 avalia Honda.
