Base aliada tenta desconstruir declarações de Lina

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SÃO PAULO, 18 de agosto de 2009 - Durante o depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a base aliada do governo adotou a estratégia de rebater as declarações da ex-secretária. E coube aos senadores peemedebistas pôr em prática essa linha de raciocínio.

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) cobrou da ex-secretária a agenda, o dia e a hora do encontro que ela afirma ter tido com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no fim do ano passado. Na ocasião, de acordo com Lina Vieira, Dilma solicitou que acelerasse as investigações em andamento na Receita contra o filho de Sarney.

A resposta de que o encontro foi reservado e, por isso, não constou de sua agenda ou a da ministra foi usado pelos governistas para dar andamento a essa estratégia. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), partiu para o discurso de esvaziamento do assunto.

"Me considero satisfeito, o que houve foi um grande mal-entendido. Vou me retirar porque esgotamos a questão. Vossa senhoria não sabe a data do encontro. No espírito de tudo isso, a conotação que se dá é que a tentativa de se fazer pizza dessa investigação não ocorreu. A ministra sabe disso".

O líder da base do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), adotou a postura de desconstruir a versão apresentada por Lina Vieira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ao contrário da ex-secretária, que informou que teve no máximo três reuniões com a ministra, o líder citou ao menos seis encontros. Alguns com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Lina Vieira ressaltou que as reuniões agendadas oficialmente com a ministra foram no máximo três e que nas demais, relatadas por Mercadante, ela simplesmente assessorou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O líder do bloco governista comparou as declarações de Lina Vieira à imprensa com as prestadas hoje. Á mídia, disse ele, a ex-secretária disse que a ministra teria pedido para agilizar as investigações da Receita Federal contra o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP), por causa das eleições para a presidência do Senado.

Hoje, Lina Vieira afirmou que Dilma Rousseff apenas pediu que agilizasse as investigações. "Ou a senhora prevaricou ou está mentindo. Se ela (Dilma Rousseff) falou que era para acabar com investigação por causa das eleições no Senado teria que comunicar ao seu superior (ministro Guido Mantega). Como jornalistas sabiam se a senhora não falou com ninguém e a ministra nega o encontro?", questionou Mercadante.

A ex-secretária argumentou que não tratou de eleições no Senado com a ministra. "Foi uma interpretação pessoal", disse. Quanto ao fato de os jornalistas terem conhecimento do teor da suposta reunião, ela sugeriu ao senador que a pergunta fosse feita aos repórteres. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)