Resultados de empresas confirmam recuperação

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Natalia Pacheco e Ubirajara Loureiro, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O mercado ainda aguarda a divulgação de resultados de várias empresas brasileiras, mas as companhias que saíram na frente com o resultado do segundo trimestre confirmam parte da reação vista nos indicadores econômicos. Um quadro ainda com desigualdades, mas já apresentando leves indícios de recuperação na atividade produtiva para o segundo semestre.

O comércio confirma as previsões de alta dos economistas. Os lucros da rede de lojas Renner e da Natura cresceram 9,88% e 19,3% no período, respectivamente. O consumo das famílias garante a movimentação do setor, principalmente após a queda das taxas de juros, que contribuiram para a liberação de crédito no mercado.

Na verdade, mês a mês os números do IBGE sobre a economia brasileira vêm apresentando uma recuperação modesta, sem ainda atingirem os níveis de antes da crise. Mas há indícios animadores, como a recuperação da confiança do empresariado, estimulada pela redução dos juros, o que deve induzir uma retomada de investimentos daqui para a frente afirma a economista Luciana Sá, chefe do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

A construção civil, a produção de aviões e automóveis impulsionam resultados no setor industrial. O lucro da Construtora Tenda registrou alta de 32,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A Embraer fechou com lucro de R$ 466,9 milhões, alta de 30,9%. O resultado é surpreendente, já que a aviação foi um dos segmentos mais impactados com a crise financeira internacional e com a gripe suína. Porém, a empresa conseguiu elevar suas margens devido à redução dos custos fixos, depois da demissão de mais de 4 mil funcionários em fevereiro.

O setor de transporte tem se levantado principalmente no Rio, por causa da indústria naval, que registra aumento de 22,8% nas vendas, no primeiro semestre do ano. Porém, a indústria fluminense ainda não saiu da crise.

Luciana Sá avalia que, apesar de tudo, o quadro econômico, em geral, vem apresentando melhorias graduais, que devem ser mantidas. Isto, principalmente, em vista da dissipação das enormes incertezas que marcaram o especialmente a primeira metade primeiro semestre do ano.

Já os setores que dependem da demanda externa e do dólar valorizado, ainda não registraram resultados positivos. O maior exemplo é a Vale. O lucro da companhia caiu 81%, para R$ 1,46 bilhão. A Usiminas também registrou queda de 63% do lucro no segundo trimestre deste ano, que somou R$ 368,6 milhões.

A queda da demanda externa reduziu a produção das indústrias brasileiras que interromperam investimentos. Em função disso, a fabricante de motores elétricos, Weg, viu o lucro cair 23,7%, para US$ 129,67 milhões.

Com a queda dos preços do petróleo, muitos projetos de biodiesel foram abandonados e o lucro da produtora Brasil Ecodiesel foi de R$ 21,7 milhões, queda de 74%.

A gerente de análise da consultoria Lopes Filho, Leila Almeida, diz que o segundo trimestre ainda será fraco para a indústria, que só deve se recuperar em meados do terceiro trimestre.

É o setor que precisa do aquecimento da demanda externa e da valorização do dólar. E esse quadro só deve se reverter daqui alguns meses ressaltou a analista, que ainda informou que o varejo deve continuar em alta.