Obama rejeita ideia de novo pacote

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Jornal do Brasil

EUA - O presidente norte-americano, Barack Obama, rejeitou a ideia de que o país precise de um segundo pacote de estímulo econômico para sair da recessão e pediu que a população tenha paciência com o plano de recuperação. As declarações foram feitas em seu programa semanal por rádio e internet.

Precisamos deixar que o plano atue do jeito que deve, entendendo que, em qualquer recessão, o desemprego tende a diminuir mais devagar de que outros índices da atividade econômica disse Obama, criticando os republicanos por fazerem oposição sem oferecer alternativas para o país. O plano não foi desenhado para quatro meses. Ele foi desenvolvido para trabalhar durante dois anos.

Desde que o estímulo foi aprovado, a economia americana perdeu mais de 2 milhões de empregos, e o desemprego atualmente é mais alto de que a Casa Branca previa que atingiria mesmo sem pacote econômico. Obama tem enfrentado fortes pressões políticas da oposição. Os republicanos já dizem que o plano de estímulo de US$ 787 bilhões (R$ 1,5 trilhão) fracassou. A mensagem do presidente havia sido gravada anteriormente, já que ele se encontra em visita oficial a Gana, onde defendeu a relevância internacional do continente africano.

Agenda intensa

A agenda de eventos econômicos nos Estados Unidos será bastante intensa nos próximos dias, o que pode gerar oscilações mais expressivas no mercado financeiro internacional. Dados de inflação e produção industrial estão entre os destaques. Mas a ata do último encontro do Fomc (comitê do Federal Reserve, o banco central dos EUA, que define os juros) poderá ser o evento a provocar a maior agitação no mercado. O documento vai ser divulgado na quarta-feira.

Em sua última reunião, o Fomc decidiu manter os juros básicos norte-americanos em uma faixa que vai de zero a 0,25% ao ano. Com a inflação dando sinais de maior fôlego, o Fomc pode estar se preparando para elevar as taxas do país em um futuro próximo. Amanhã, os americanos vão conhecer o PPI (índice de preços ao produtor). Para esse índice, a expectativa é a de que a taxa tenha subido de 0,20% em maio para 0,80% em junho. No dia seguinte, será a vez de ser conhecido o CPI (índice de preços ao consumidor). As projeções apontam elevação de 0,10% para 0,60% em junho. A quarta-feira ainda trará a apresentação da produção industrial nos EUA. As divulgações dos dados econômicos americanos têm sido acompanhadas com interesse pelo mercado. Isso porque ainda são elevadas as dúvidas em relação à recuperação da maior economia do mundo.

Segundo relatório do banco Fator, o caminho de recuperação é tortuoso e não parece razoável esperar melhora contínua com tantos dados econômicos que ainda indicam fragilidade, com destaque para o mercado de trabalho . Após a apresentação do recuo nos pedidos de seguro-desemprego, segundo os dados divulgados na semana passada, os investidores estarão ainda mais atentos aos indicadores.