Após recorde, Fiat vê queda de vendas em julho no país
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SÃO PAULO - As vendas de veículos neste mês podem apresentar recuo na comparação com o recorde histórico registrado em junho, mas os meses seguintes devem voltar a reagir após o governo estender a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevê o presidente da Fiat para América Latina, Cledorvino Belini.
Segundo ele, as vendas de cerca de 290 mil automóveis e comerciais leves no mês passado foram impulsionadas em parte pela expectativa dos consumidores para o fim do desconto no IPI, que acabou sendo prorrogrado pela segunda vez no final do mês.
- Teve antecipação de demanda sem dúvida nenhuma, mas a prorrogação do IPI vai assegurar no (terceiro) trimestre uma retomada muito significativa - disse Belini nesta quinta-feira.
Segundo ele, considerando o desempenho da indústria automotiva no primeiro semestre, o resultado de vendas em 2009 poderá superar o recorde de 2008.
A Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou nesta manhã que as vendas de automóveis e comerciais leves novos no País em junho cresceram 22,08% sobre maio, para 289.792 unidades. Incluindo caminhões e ônibus, o total no mês passado sobe para 300.174 unidades.
- O setor automotivo está segurando o PIB industrial e isso leva a crer que vamos ter um ano muito bom. Projetamos que poderá ser melhor que o ano passado - afirmou o presidente da Fiat, após anúncio de parceria da montadora com o Google.
A Fiat já investiu no Brasil dois terços de seu plano de R$ 5 bilhões de 2008 a 2010, disse Belini. No final do ano que vem, a companhia terá sua capacidade de produção no País ampliada de 700 mil para 800 mil veículos por ano.
A montadora já lançou cinco modelos este ano no Brasil e contratou 1 mil funcionários entre março e abril. Segundo Belini, o nível de utillização da capacidade das fábricas no País e na Argentina está em cerca de 75%.
Apesar da chance de o mercado de veículos apresentar desempenho ainda melhor que as vendas de 2,82 milhões de veículos no país em 2008, a montadora trabalha com um Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro próximo de zero em 2009. "Tanto faz se um pouco abaixo de zero ou um pouco acima", disse Belini.
Já para 2010, a expectativa é de expansão entre 4% e 5%.
Na avaliação do executivo, o Brasil ainda não saiu da crise, uma vez que alguns setores ainda não se recuperaram da queda na demanda.
- Temos que ficar atentos, o controle da inflação precisa ser mantido e as taxas de juros precisam cair mais. Mas a oferta de crédito voltou e ainda temos a segurança das reservas (internacionais) - afirmou Belini.
Sobre a integração mundial da Fiat com a Chrysler, após acordo em que a montadora italiana assumiu participação de 20% na americana, Belini disse que no Mercosul não deverá haver uma canibalização, uma vez que as ofertas de produtos das duas marcas são complementares.
Ele não pôde dar detalhes mais específicos sobre o impacto da parceria na região.
