Juros sobem após superávit e medidas fiscais do governo

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REUTERS

RIO DE JANEIRO - A curva futura de juros acentuou a inclinação para cima na tarde desta segunda-feira, após uma série de informações corroborar o cenário de retomada da economia.

Outro componente foi a expectativa pela reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que anuncia na terça-feira a meta de inflação para 2011.

No call das 16h, o DI janeiro de 2010 projetava 8,77% ao ano, ante 8,75% no ajuste de sexta-feira. Janeiro de 2011 estava em 10,04%, frente a 9,92% no ajuste anterior. Janeiro de 2012 indicava 11,03%, ante 10,86% no ajuste passado.

No final da manhã, o Banco Central informou que o superávit primário do setor público despencou a R$ 1,119 bilhão em maio, ante superávit de R$ 8,525 bilhões em igual período de 2008. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o resultado está vinculado ao nível menor de atividade e também à ação anticíclica do governo.

A informação afetou os DIs, por causa do impacto que pode ter na inflação.

- Quanto menor o superávit, em tese, maior o estímulo e mais rápida é a possibilidade de retomada da atividade econômica. Com isso, a realização do quadro benigno de inflação - que está ancorada na chance de poucas pressões da atividade no médio prazo - fica mais comprometida - explicou o gestor de renda fixa da Infinity Asset Management, Sávio Borba.

Além da queda expressiva no superávit primário, o governo estendeu as medidas de estímulo à atividade. Entre as ações estão a redução para 6% da TJLP, a prorrogação da redução do IPI para automóveis, produtos da linha branca e trigo e a diminuição do IPI para 70 itens do setor de bens de capital.

Fernando Mendes, operador da área de derivativos da corretora Terra Futura, também chamou atenção para a expectativa de manutenção da meta de inflação em 2011.

- O mercado receberia melhor uma redução na meta - avaliou o profissional.

Mais cedo, os investidores acompanharam o IGP-M de junho, que caiu 0,10%, mais que o esperado pelo mercado e que no mês anterior; o relatório Focus, em que a expectativa para o IPCA de 2010 subiu levemente; e a previsão para o PIB em 2009, que melhorou discretamente.