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Emergentes questionam moeda de troca mundial

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Jornal do Brasil

DA REDAÇAO - Líderes dos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China que formam o grupo chamado BRIC se encontram nesta semana na Rússia para discutir a crise financeira global e reformas para as instituições financeiras e comerciais do mundo. Querem reforçar sua influência como responsáveis por 15% da produção global, reforçando seu grupo para tornar-se ator mais influente.

A preocupação com a ideia de que o papel do dólar como divisa dominante nas reservas tenha contribuído para a instabilidade financeira global vem sendo discutida pelas principais autoridades de segurança dos BRIC, que se reuniram em Moscou no mês passado para preparar a reunião de cúpula.

O ministro para Assuntos Estratégicos do Brasil, Roberto Mangabeira Unger, disse à Reuters no mês passado que a cúpula deve discutir o papel do dólar norte-americano, o fortalecimento do G20, a reformulação do regime comercial mundial e a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).

O ministro das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, declarou que é pouco provável que o papel do dólar como principal divisa de reserva do mundo mude no futuro próximo.

Analistas avaliam que os países emergentes continuam sólidos mesmo após a crise, mas enumeram alguns entraves destas economias.

Jim O'Neill, presidente global de pesquisa econômica no Goldman Sachs, diz que a China deve ser a número um até aproximadamente 2027, com o BRIC superando o G6 nos próximos 20 anos. O banco agora prevê taxas de crescimento entre 2011 e 2050 de 4.3% ao ano para o Brasil, 5.2% para a China, 6.3% para a Índia e 2.8% para a Rússia.

Ao contrário de visões pessimistas de alguns meses atrás de que o sonho do BRIC poderia ser arruinado pela crise, seu crescimento relativo parece estar mais forte.

Talvez o maior risco para o cenário de crescimento, sugerem especialistas, seja mudança política ou conflito geopolítico que possam minar os prospectos de crescimento de um ou mais países do BRIC. Outra preocupação é degradação ambiental, que representa um sério risco para o crescimento econômico dos países do BRIC. O aquecimento global poderia ter um grave impacto nos rendimentos rurais, particularmente na Índia, Brasil e China, pois quase um quarto da população dos países do BRIC vive perto da costa, a exemplo do Rio de Janeiro. Outro fator que citado como entrave é a demografia, crescente em países como Índia.

No encontro do G8, neste final de semana passado, também foi colocada a necessidade de os países emergentes terem maior poder de influência sobre os rumos da economia global.

Numa entrevista no sul da Itália, durante o encontro dos ministros das Finanças dos países do G8, o ministro das Finanças do Egito, Youssef Boutros-Ghali, se disse preocupado pois o senso de urgência para as reformas no FMI está perdendo força, à medida que a economia global mostra reação.

Não gostaria de ver a gente passando por esta crise sem ter investido em mudanças fundamentais para impedir que uma turbulência assim comece de novo declarou.

Com informações da Reuters.