Copom: ideia inspirada no Federal Reserve
Gabriel Costa, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) foi criado em 20 de junho de 1996. A ideia foi inspirada na experiência do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed). Antes, o BC aumentava ou reduzia a taxa básica de juros sem comunicar diretamente ao mercado.
Com a mudança, segundo a autoridade monetária, o processo se tornou mais transparente, o que melhorou a comunicação com o mercado financeiro. Atualmente, vários países seguem o modelo.
As reuniões do Copom dividem-se em dois dias, em geral com a primeira sessão numa terça-feira e a segunda no dia seguinte. A partir de 2000, as reuniões passaram a ser mensais, e diminuíram para oito por ano em 2006.
A decisão do BC sobre os juros é soberana e não precisa de aprovação do presidente da República nem do ministro da Fazenda. A meta de inflação, por sua vez, é fixada pelo governo.
Quando assumiu o governo, em janeiro de 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou a Selic fixada em 25,5% ao ano, com previsão de inflação maior que a atual. O Brasil manteve-se como o páis com os maiores juros do mundo até março deste ano, quando a taxa caiu 1,5 ponto percentual, de 12,75% para 11,25% ao ano.
Uma simulação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgada na última semana mostrou que a redução da Selic tem um efeito pequeno nas operações de crédito, uma vez que existe um deslocamento muito grande entre a taxa básica e as taxas cobradas ao consumidor, que na média da pessoa física atingem 133,7% ao ano, o que provoca uma variação de mais de 1.200% entre as duas pontas.
Segundo a Anefac, o efeito indireto será maior, na medida em que a Selic mais baixa a rentabilidade dos bancos em aplicações de títulos públicos cai, o que leva as instituições a emprestarem mais. A competição, portanto, traria o efeito nas taxas de juros das operações de crédito.
