Consenso parcial ainda não teve resultados
Ubirajara Loureiro, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Nas reuniões do ministro de Assuntos Estratégicos com as centrais sindicais, houve consenso quanto à necessidade de desoneração da folha de salários, com efetiva transparência que inclui abertura dos livros caixam, também para controle da necessária regulação da participação dos empregados nos lucros e resultados das empresas, como relatam os presidentes de duas dessas entidades, Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Antonio Neto, que dirige a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
O enfoque na questão capital trabalho é que hoje há mais gente fora do que dentro do mercado. Então, alguma coisa está errada. Para que haja a formalização, é necessário diminuir o custo do folha de pagamento, que é altamente onerosa. E em contrapartida, absorver-se mais gente no mercado formal de trabalho, o que tem integral apoio da UGT. E uma das formas de se promover uma sintonia ampliada entre capital e trabalho e a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, desde que isso não sirva para a participação nos lucros e resultados não sirva como instrumento para transformar o salário permanente em renda variável. Os trabalhadores farão o máximo possível para que a empresa tenha melhores resultados. A contrapartida a empresa deve distribui-los entre os trabalhadores explica Patah.
Contribuição
Seu companheiro de sindicalismo Antonio Neto destaca que, apesar de algum consenso em pontos limitados, a maratona de reuniões com o ministro, isoladamente e em conjunto, e que culminou com a audiência com o presidente Lula, até agora não teve resultado prático concreto:
O presidente disse que chamaria o patronato para uma conversa com os trabalhadores e apresentar uma proposta, mas até agora, nada. Isto foi lá no final do ano passado. Nos da CGTB temos uma contribuição a dar, na medida em que considerados que o setor de serviços não deve sofrer tributação igual à da indústria, pois o peso da mão de obra no preço do produto é muito diferente. Tem que haver uma alternativa para o setor de serviços, em especial na área de tecnologia da informação, onde a mão de obra é cara e chega a ser 70% do preço final defende Neto.
Na conversa com o JB, Mangabeira Unger para exemplificar ônus que incide na folha de pagamento pode ser assim resumido: um trabalhador tem salário nominal de 100, recebe 80 e custa 200 a seu empregador. Neto contesta a proporção. Segundo ele, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já provou que, mesmo com vale transporte e alimentação, daria algo em torno 55 a 60% de encargos gerais sobre a folha de pagamento.
Outra preocupação do sindicalista é a terceirização. Mangabeira compartilha do sentimento de urgência dos sindicalistas mas explica:
Esses problemas mexem com a distribuição do poder, da renda e da riqueza, e seriam controvertidos em qualquer época ou lugar.
