Companhias aéreas devem sofrer perdas de US$9 bi em 2009

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Sara Webb e Raju Gopalakrishnan, REUTERS

KUALA LUMPUR - As companhias aéreas globais pediram nesta segunda-feira uma ação coordenada para evitar que uma nova corrida nos preços do petróleo aconteça. O apelo surge depois que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) quase dobrou sua previsão de perdas da indústria para 9 bilhões de dólares em 2009.

O diretor da associação criticou "especulação gananciosa" nos mercados petrolíferos e acusou governos de desperdiçarem recursos levantados pela indústria de aviação enquanto as companhias continuam sofrendo com a queda na demanda.

- Essa é a situação mais difícil que a indústria já enfrentou - disse o diretor geral da Iata, Giovanni Bisignani, em reunião anual da entidade, realizada na capital da Malásia - Eu sou realista, não vejo fatos que apoiem otimismo - acrescentou.

Entretanto, John Leahy, diretor comercial da Airbus, afirmou que apesar de 2009 ser um ano duro, planos da United Airlines de encomendar até 150 novos aviões da empresa ou da Boeing sinalizam que o mercado começa a ensaiar recuperação.

- Não creio que teremos mais cancelamentos - disse o executivo à Reuters, em entrevista.

A Iata, que representa mais de 200 companhias aéreas, tem alertado sobre um ano difícil para as operadoras aéreas diante do encolhimento do mercado provocado pela crise financeira global.

As condições do setor pioraram depois do surto de gripe suína e dos preços do petróleo voltarem a subir de novo depois de terem batido pico próximo a 150 dólares o barril no ano passado.

- O risco que temos visto nas últimas semanas é de que mesmo o menor sinal de recuperação econômica tem feito os preços do petróleo subir. Especulação gananciosa não pode fazer a economia global de refém - disse Bisignani.

Os preços de combustível de aviação em Cingapura dispararam quase 60 por cento desde que atingiram mínima de 46 dólares o barril em março.

Apesar disso, a Iata ainda estima que a conta de combustível da indústria vai cair em 59 bilhões de dólares, para 106 bilhões de dólares, em 2009. Isso equivale a 25 por cento dos custos contra proporção de 31 por cento em 2008.

Bisignani afirmou que a indústria de aviação deve ver suas receitas em 2009 caírem em 80 bilhões de dólares este ano, para 448 bilhões de dólares por causa da crise econômica.