Opções retomam volume pré-crise
Maria Luíza Filgueiras, JB Online
SÃO PAULO - A mudança de performance do índice acionário da BM&F Bovespa, que passou de franco declínio no segundo semestre de 2008 para volatilidade com viés positivo neste ano, alterou o volume de operações dos investidores no mercado de opções de ações.
O primeiro movimento, registrado durante a crise, foi uma corrida para as opções de venda que, como o nome já diz, asseguram ao investidor poder vender um papel por preço previamente combinado, ainda que no mercado à vista a cotação tenha despencado.
Em 20 anos de mercado, não vi nada parecido em relação à put. Essa crise serviu para começar a popularizar esse segmento, incluindo operação de pessoas físicas diz Eduardo Collor, grafista da Ativa Corretora.
Put é como os operadores chamam as opções de venda (que podem ser adquiridas ou repassadas), e call são os movimentos relativos às opções de compra. A primeira representa cerca de 5% do mercado brasileiro de opções de ações, o que resulta em falta de liquidez. A venda é usada em momentos de baixa de mercado, para assegurar uma proteção ao investimento, e por isso mais procurada por tesouraria de instituições financeiras e gestores de carteira.
Se um investidor comprou uma ação a R$ 30, por exemplo, e quer garantir a venda a este preço, pode exercê-la mesmo que, com um movimento de baixa, o papel esteja negociado a R$ 25 no mercado à vista.
Mudança de estratégia
O volume de opções exercidas é um bom retrato dessa mudança de estratégia do investidor. Em maio de 2008, quando o mercado ainda estava no azul, o exercício de venda somou R$ 17,59 milhões. Com a indicação de virada no mercado iniciada no mês seguinte, o montante saltou para R$ 342 milhões, galgando até os R$ 837,33 milhões exercidos em setembro. A série de junho a dezembro, a maior desde 2000 (período divulgado pela bolsa) superou o volume de exercícios de venda entre 2005 e 2007.
O volume aumenta quando os mercados estão em queda, já que funciona como um seguro explica Collor.
Com a reversão de tendência do mercado acionário, o volume de opção de compra exercido no último vencimento, em 18 de maio, foi o maior desde maio de 2008. É resultado da realização de contratos considerando que o papel garantido tinha preço mais baixo que o valor à vista.
A bolsa fez a máxima histórica em abril e desde então estava em desvalorização, e o melhor exercício do período foi agora ressalta José Góes, economista da WinTrade.
O crescimento não foi só no exercício, mas também no volume diário negociado neste mercado.
