Dólar sobe pela 1ª vez em uma semana, a R$ 2,069
Além da queda nas exportações chinesas - principal destino dos produtos brasileiros - o déficit comercial norte-americano e a contração no preço das casas nos EUA sustentaram os movimentos de realização de lucro nas bolsas. Em Nova York e na Europa, as ordens de venda ganharam forças, com as ações das montadoras e dos bancos liderando as baixas. Os papéis da General Motors (GM) caíram no menor preço desde 1933, enquanto que os da Ford caíram após o anúncio do plano de vender 300 milhões de ações ordinárias.
No entanto, a perspectiva é de que o dólar tende a continuar sendo pressionado para os R$ 2. No mês, a moeda estrangeira ainda acumula perdas de 5,18%. Para Miriam, a janela de oportunidade criada pela recente melhora nas condições do mercado, resultando em forte em ingresso de recursos estrangeiros, que buscam oportunidades de ganho na Bovespa e também na renda fixa, onde as taxas de juros ainda são bastante atrativas, diante das taxas próximas de zero nas economias desenvolvidas, como nos Estados Unidos, Europa e Japão, continuarão pressionando o câmbio para baixo.
Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operações da Confidence câmbio concorda que o ingresso de estrangeiros na bolsa e o atrativo do juro vão continuar derrubando o dólar, exigindo uma ação continuada do Banco Central (BC). "No curto e médio prazo, o dólar tende a ser pressionado para R$ 2, mas não deverá cair abaixo desse valor até julho em função da atuação do BC", afirma. Segundo o gerente, uma excessiva desvalorização do dólar é ruim, porque impactará diretamente sobre as exportações brasileiras e a balança comercial. "Por isso, mesmo que o dólar busque o patamar de R$ 2, encontrará forte resistência do governo´,. Hoje, a autoridade monetária voltou a comprar dólares no mercado à vista, pagando taxa média de R$ 2,0678.
Desde a semana passada, a autoridade monetária têm atuado. A primeira intervenção foi na terça, dia 5, quando comprou US$ 3,4 bilhões no mercado futuro com a rolagem dos contratos de swap cambial reverso. Em nota, o BC informou que o objetivo da estratégia é reforçar as reservas internacionais.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)
