Banco do Brasil financia linha branca
Ayr Aliski , Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O Banco do Brasil lança quinta-feira uma nova linha de crédito para financiar a compra de produtos da linha branca que tiveram redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) como fogões, geladeiras, máquinas de lavar roupa e tanquinhos. A nova modalidade de crédito vai cobrar juro a partir de 1,99% por mês, com prazo de pagamento de até 60 meses e possibilidade de concessão de 180 dias de carência para cobrança da primeira prestação.
Além disso, na semana que vem, o BB estreia no programa Minha Casa, Minha Vida, o pacote habitacional do governo federal. Em parceria com a construtora Cyrella, o Banco do Brasil vai financiar a construção de 500 unidades habitacionais na cidade paulista de Sorocaba, em um projeto de R$ 20 milhões. As novas frentes de atuação do banco foram anunciadas quarta-feira pelo novo presidente do BB, Aldemir Bendine.
A linha de crédito para a compra de produtos da linha branca vai ser oferecida para correntistas no BB e vai estar disponível para compras em lojas conveniadas. Bendine revelou que 18 grandes redes varejistas vão trabalhar na parceria. O juro mais baixo é de 1,99%, podendo ser maior de acordo com a classificação de risco do cliente, prazo de pagamento e de carência. Atualmente, a linha de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) mais barato ofertado pelo Banco do Brasil cobra 2,62% ao mês, explicou Bendine.
O executivo disse que, originalmente, a nova modalidade de crédito foi criada para acompanhar os produtos beneficiados pela redução do IPI, mas que poderá ser ampliada para outros bens de consumo, dependendo da demanda do público. Não há metas pré-estabelecidas para repasse de crédito para a linha branca do BB. Um dos principais diferenciais do novo formato de empréstimo é a carência de até seis meses. Na semana passada, a Caixa Econômica Federal anunciou ampliação do prazo de cobrança da primeira prestação, mas oferece no máximo três meses para início dos pagamentos.
Entrada no pacote habitacional
Em relação à operação com a Cyrella, Bendine deixou claro que marca a entrada do BB no plano habitacional. O banco vai atuar na faixa de público com renda de três a 10 salários mínimos, já que as famílias com renda inferior vão ser atendidas exclusivamente pela Caixa. Haverá forte foco no financiamento à produção, destacou Bendine, mas em 60 dias o BB quer atender também o tomador final do crédito.
De acordo com o novo presidente da instituição, o Banco do Brasil recebeu aporte de R$ 500 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aplicar em habitação. Além disso, o banco deverá operar com lastro próprio, a partir da captação da caderneta de poupança. Embora tradicionalmente opere com a poupança rural (a qual destina 65% dos depósitos no crédito ao setor agropecuário), desde que recebeu autorização para trabalhar com crédito habitacional o BB pode aplicar 10% da exigibilidade da poupança também no financiamento de moradias. Isso representa um fundo com mais de R$ 6 bilhões disponíveis.
