Bolsa e dólar se descolam de notícias ruins

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SÃO PAULO, 13 de fevereiro de 2009 - Hoje uma onda de noticias negativas invadiu o noticiário, dando conta da péssima condição da saúde econômica de diversos países. O foco foi as principais economias da Europa que apresentaram retração no quarto trimestre de 2008, uma clara demonstração dos efeitos das turbulências na economia real - que começaram nos Estados Unidos e se alastraram mundo afora.

A zona do euro, que congrega 15 países, fora a Eslováquia que só entrou no bloco a partir de janeiro de 2009, viu a recessão se agravar um pouco mais no quarto trimestre de 2008 com a queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), frente aos três meses anteriores. Segundo estatísticas oficiais, essa é uma retração nunca antes vista na história da região.

Na Alemanha, a maior economia da região, o PIB registrou contração de 2,1% no quarto trimestre de 2008, em comparação ao trimestre anterior, principalmente por conta da diminuição das exportações, segundo dados preliminares divulgados hoje pelo Escritório Federal de Estatísticas (Destatis).

Já a Holanda "entrou oficialmente em recessão" pela primeira vez desde 1982, após registrar uma queda de 0,9% no PIB do quarto trimestre de 2008, em comparação ao trimestre anterior, quando a retração foi de 0,3%, segundo dados fornecidos hoje pelo Escritório Central de Estatísticas.

O PIB da Itália registrou sua maior contração em 25 anos durante o quarto trimestre de 2008. A economia italiana retraiu 1,8% entre outubro e dezembro, em comparação ao trimestre anterior, quando registrou crescimento negativo de 0,6%.

Embora ainda não esteja em recessão, a França registrou contração de 1,2% no quarto trimestre de 2008, em comparação ao trimestre anterior, quando teve avanço de 0,1%, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee). A retração entre outubro e dezembro representa o pior declínio no PIB desde 1978. A autoridade monetária da França já prevê que a economia entrará em recessão a partir deste trimestre, pela primeira vez em 16 anos.

Já o Conselho Monetário do Banco Central do Chile reduziu a taxa de juros do país em 2,5 pontos percentuais para 4,75% ao ano. O corte surpreendeu o mercado que projetava uma redução entre 1 ponto e 1,5 ponto percentual.

No mercado doméstico, apesar do resultado do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subir mais que o projetado pelo mercado financeiro, ao atingir 0,54% em fevereiro - depois de ter registrado deflação de 0,85% em janeiro - o mercado de juro futuro ignorou e voltou a reduzir a curva. Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais líquido com 374,8 mil negócios fechados, apontou taxa anual de 11,03%, ante 11,18% do ajuste anterior.

Foi divulgado ainda que a indústria paulista fechou 32,5 mil postos de trabalho em janeiro, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Diante disso, o Índice de Nível de Emprego caiu 1,86% em relação a dezembro, com ajuste sazonal. Em relação a janeiro de 2008, o índice caiu 2,22%.

No mercado acionário, a sexta-feira acabou no azul para a bolsa de valores brasileira, após uma semana de forte instabilidade. Descolada mais uma vez de Wall Street, o índice acionário da BM&FBovespa registrou, ao final dos negócios, forte alta de 2,9%, aos 41.673 pontos, depois de quatro sessões consecutivas de queda. O giro financeiro somou R$ 3,53 bilhões.

Já o dólar, mesmo com a instabilidade nos mercados internacionais, recuou ao patamar de R$ 2,26, e fechou o dia em baixa de 0,87%, vendido a R$ 2,267, influenciado pelo fluxo positivo e desmonte de posições. Ainda assim, na semana, a divisa estrangeira acumulou ganhos de 0,71% sobre o real.

(Redação - InvestNews)