Contratos de DIs fecham em queda

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SÃO PAULO, 27 de janeiro de 2009 - A curva de juros futuros teve uma terça-feira volátil e isso deve se manter até a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na opinião de analistas. Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) precificam novas reduções da taxa Selic no decorrer deste ano. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, caiu de 11,38% para 11,24% ao ano.

O analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, avalia que o mercado de juros futuros vem se mostrando indefinido nos últimos dias decorrente das incertezas em relação ao futuro da economia, porém, segundo o analista, hoje a queda nas taxas deve-se também a notícia de que os efeitos da crise financeira mundial na economia brasileira farão com que o governo corte R$ 37,2 bilhões do Orçamento Geral da União para 2009. "Isso é importante para o setor fiscal e para garantir os programas do governo", lembra.

O mercado também repercutiu a inflação na capital paulista que avançou para 0,36% na terceira quadrissemana de janeiro, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP). O indicador veio acima do teto das expectativas (0,32%). Em relatório, a Gradual Investimentos ressalta que a inflação ainda está comportada e nada indica - no curto ou médio prazo - que a trajetória vá se alterar. O momento é de deflação de ativos e preços no mundo inteiro.

Na agenda do dia foi divulgado também o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que apresentou alta de 3% em janeiro perante o último mês de 2008. Apesar da evolução relativamente favorável, o índice ainda situa-se num patamar baixo em termos históricos, destaca a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo.

Foi informado pelo BC que as operações de crédito do sistema financeiro, considerados os recursos livres e direcionados, somaram R$ 1,227 trilhão em dezembro, o que representa aumento de 1,6% em relação a novembro. Com isso, o volume total dessas operações passou a representar 41,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 40,4% em novembro e 34,2% em dezembro de 2007.

Diante desta recuperação do crédito a LCA Consultores reforça a perspectiva de que a ação anti-cíclica das políticas monetária e fiscal evitará uma desaceleração mais severa da atividade econômica doméstica, reiterando a projeção da consultoria de uma alta de 2,8% do PIB em 2009.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)