Brasil sinaliza aceitar aumento na cessão da energia de Itaipu
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REUTERS - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizou nesta segunda-feira ao Paraguai que o Brasil pode aceitar elevar o valor pago pelo direito da cessão da energia gerada pela usina de Itaipu que não é consumida pelo país vizinho. Tal aumento, entretanto, não implicará em uma revisão do tratado que rege a usina ou em uma mudança do valor pago pelo megawatt.
O aceno foi feito durante reunião entre ministros brasileiros e paraguaios, no Itamaraty. Amorim disse ainda que o governo brasileiro está disposto a criar um fundo de desenvolvimento bilateral e uma linha de financiamento para incentivar a execução de projetos no Paraguai que também sejam de interesse do Brasil, com a participação de empresas brasileiras.
Com as propostas, o governo brasileiro tenta colocar um fim à demanda paraguaia de reajustar o preço da energia vendida ao Brasil e renegociar a dívida com o Brasil resultante da construção da hidrelétrica.
- Nós havíamos discutido internamente algumas idéias que poderiam ajudar no encaminhamento das reivindicações do Paraguai - afirmou Amorim em um breve pronunciamento.
- Foi uma conversa com um clima muito positivo.
O chanceler paraguaio, Alejandro Hamed Franco, também demonstrou otimismo.
- Trabalhamos de maneira muito construtiva para a aproximação das posições de ambas as partes e para encontrar um acordo que seja satisfatório para as duas partes - destacou.
Os ministros paraguaios ficaram de responder por escrito às propostas feitas pelo governo brasileiro em até 15 dias, para que uma nova reunião ministerial seja agendada para daqui a cerca de um mês. O encontro antecederá a visita oficial ao Brasil do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, a qual está marcada para abril.
Atualmente, o Brasil paga US$ 45 por cada MWh comprado do Paraguai, o que, segundo o Ministério de Minas e Energia, totaliza US$ 1,5 bilhão por ano. Além disso, o Brasil paga mais US$ 100 milhões por ano para obter o direito de cessão dessa energia.
Recentemente, os paraguaios pediram que o valor pago pela cessão fosse reajustado para entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões. O Brasil já descartou tal aumento.
Além de Amorim e Hamed, participaram da reunião os ministros brasileiros Guido Mantega (Fazenda) e Edison Lobão (Minas e Energia). Do lado paraguaio, estiverem presentes os ministros Dionisio Borda (Economia) e Efraín Alegre (Obras Públicas e Comunicações).
