Temor por bancos e cenário sombrio afeta Ásia

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SÃO PAULO, 15 de janeiro de 2009 - A sucessão de notícias negativas relacionadas ao desempenho de instituições financeiras ao redor do mundo desencadeou uma onda de aversão ao risco nos mercados globais. Na Ásia, não foi diferente. Todas as praças acionárias da região fecharam no vermelho nesta quinta-feira, registrando o pior desempenho em seis semanas.

O índice MSCI Ásia-Pacífico, que mede as bolsas da região com exceção do Japão, registrou forte baixa de 5,2% às 07h05 (GMT), atingindo sua maior queda diária desde a metade de novembro de 2008.

Os temores sobre o setor bancário ganharam força após um analista do Morgan Stanley prever que o HSBC, o maior banco da Europa, deve reduzir à metade seus dividendos e talvez precise de um aumento de capital para US$ 30 bilhões, enquanto o alemão Deutsche Bank informou que perdeu mais de US$ 6 bilhões no último trimestre. Além disso, o gigante Citigroup anunciou que irá desmembrar partes de seu problemático império financeiro na tentativa de aplacar os órgãos reguladores e seus investidores ansiosos.

A divulgação de indicadores negativos e do Livro Bege nos Estados Unidos também elevou o pessimismo nos mercados. As vendas no varejo norte-americano caíram 2,7% em dezembro na comparação com o mês anterior. Já o Livro Bege revelou que a economia norte-americana continuou recuando em dezembro.

Na Ásia, o retorno da crise bancária gerou forte impacto sobre os mercados da região. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 4,91%, para 8.023,31 pontos. A divulgação de queda recorde nos pedidos de maquinaria do Japão, que diminuíram 16,2% em novembro, atingindo o pior resultado em duas décadas, também impulsionaram a venda massiva de ações no pregão nipônico.

Destaque para os papéis da Nissan, que recuaram 3,38% após especulações de que a montadora deverá registrar um prejuízo operacional no atual ano fiscal, com encerramento em março de 2009. Outras fabricantes de veículos também sofreram perdas, influenciadas pelo recuo do dólar ante o iene. Os títulos da Toyota, Honda e Mazda perderam 2,74%, 4,27% e 7,02%, respectivamente.

No mercado de divisas de Tóquio, a moeda norte-americana terminou o dia cotada a 89,08 ienes, contra 89,69 ienes da última sessão. Já o euro fechou negociado a 117,40 ienes, ante 119,19 ienes da última sessão.

Em Seul, o índice Kospi sofreu a maior baixa entre todos os indicadores da Ásia, caindo 6,03%, para 1.111,34 pontos. Em Hong Kong, o referencial Hang Seng perdeu 3,37%, para 13.242,96 pontos. Já na China, o índice Xangai Composto teve desvalorização de 0,45%, para 1.920,21 pontos.

Na Austrália, o All Ordinaries de Sydney diminuiu 4,07%, enquanto o Straits Times de Cingapura teve desvalorização de 3,44%. Os indicadores em Taiwan, Jacarta (Indonésia) e Mumbai (Índia) também tiveram perdas superiores a 3%.

O recuo nos preços do petróleo incentivaram as baixas na Ásia. O barril WTI operava há instantes com queda de 1,45%, negociado a US$ 36,74 na Bolsa de Mercadorias de Nova York (NYMEX, sigla em inglês). A queda é ocasionada pelo aumento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, principalmente por conta de uma menor demanda devido à crise financeira internacional.

(Marcel Salim - InvestNews)