Alimentação puxa alta, mas carros contêm aceleração

Por

SÃO PAULO, 9 de janeiro de 2009 - Por representarem a maior parte das despesas do brasileiro (41%), os alimentos exerceram forte pressão sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta de 22,76% nos preços dos alimentos é atribuída, basicamente, a dois fatores: preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; e aumento da demanda por alimentos - tanto interna quanto externa. Da variação de 11,11% do grupo, 8,65% ficaram no primeiro semestre e 2,27% no segundo.

De acordo com o IBGE, os gastos com refeição em restaurante subiram 14,45% em 2008, figurando como a maior contribuição individual para o índice do ano: 0,55 ponto percentual. Em seguida, vieram as carnes, com alta de 24,02% e contribuição de 0,49 ponto percentual.

Entre os não-alimentícios, a principal contribuição veio do grupo de despesas pessoais (0,72 ponto percentual do IPCA de 2008), que teve variação de 7,35% no ano. O destaque ficou com os salários dos empregados domésticos, que aumentaram 11,04% e contribuíram com 0,34 ponto percentual, sendo a terceira maior contribuição individual para o índice do ano.

Outros itens relevantes foram os colégios (4,75%), planos de saúde (6,15%) e aluguel residencial (6,92%).

Por outro lado, alguns produtos contribuíram para conter o IPCA de 2008, apresentando taxas negativas. Os automóveis, com queda de 4,32% nos usados e 2,25% nos novos, foram a principal pressão de baixa no índice geral, com - 0,14 ponto percentual.

Apesar da queda nos preços da gasolina, os combustíveis fecharam 2008 com aumento de 0,55%, puxados pelo álcool (1,06%) e gás veicular (23,41%).

Em 2008, a conta de telefone fixo saiu de 0,34%, em 2007, para 3,64%, as taxas de água e esgoto saltaram de 4,82% para 7,11% e remédios de 0,54% para 3,96%.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)