Índice de confiança ainda preocupa, diz analista

Por

SÃO PAULO, 8 de janeiro de 2009 - Apesar do recuo de 0,2% verificado nas economias da União Europeia e da Zona do Euro, e do aumento do desemprego na região, o que realmente preocupa são os índices de confiança dos consumidores e empresários. A avaliação é da analista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro. Os índices, divulgados hoje, apontaram o menor resultado desde a criação da pesquisa, em 1985.

"O recuo do Produto Interno Bruto (PIB) e a queda nos postos de emprego já eram dados esperados. Eles confirmam a recessão, mas não trazem nenhuma novidade. Já os índices de confiança vieram abaixo das estimativas e surpreenderam negativamente o mercado", disse Alessandra.

A economista destacou que a reduação do Índice de Percepção dos Agentes, que mede a confiança dos empresários, caiu de 74,9 pontos em novembro, para 67,1 pontos em dezembro. Segundo ela, "isso significa que os investimentos vão continuar caindo". No mesmo sentido, Alessandra citou a baixa na Confiança do Consumidor, que passou de -25 pontos em novembro, para -30 pontos em dezembro, "o que deve arrefecer o consumo". "Esses fatores somados deverão agravar a situação econômica da região e alongar o período de recessão", explica.

Para a analista, os dados vão contra a resistência do Banco Central Europeu (BCE) de não baixar a taxa básica de juros. "Reduzir a taxa é uma medida urgente para tentar encurtar o período de recessão", ressaltou a analista, completando que a previsão é de que o PIB da Zona do Euro e da União Europeia tenha decréscimo de 0,4% neste ano. "Se essa taxa não for reduzida o mais rápido possível, acredito que o PIB terá recuo superior aos 0,4% estimados´, acredita Alessandra.

A economista avaliou ainda que a economia da região pode ter um sofrimento bem mais prolongado do que os Estados Unidos, uma vez que possui uma política econômica menos flexível e com visão monetarista. "A situação econômica só deve começar a demonstrar sinais de recuperação depois de economias como as dos Estados Unidos e Inglaterra mostrarem algum alento. Para isso, acho ainda necessário, pelo menos, um ano."

(Carina Urbanin - InvestNews)