Para Citigroup, Brasil é estratégico
Vinícius Pinheiro, Jornal do Brasil
SÃO PAULO - A fusão entre Itaú e Unibanco, que formou o maior banco brasileiro e praticamente fechou as portas para um grande competidor no mercado local, em nada mudou os planos do Citigroup. A garantia é de ninguém menos que o presidente mundial da instituição, Vikram Pandit, que arrumou um espaço na agenda para atender os jornalistas em sua rápida passagem pelo país.
Processos de consolidação têm ocorrido em vários lugares do mundo, e podem representar uma oportunidade também para quem está do outro lado disse Pandit.
O executivo anunciou que a intenção do Citi é aumentar a presença no Brasil, considerado um dos mercados estratégicos, mas esse crescimento não deve ocorrer via aquisições ou de uma associação com outro banco.
Questionado se interessa ao grupo manter a presença no modelo atual, mesmo estando distante dos bancos líderes, Pandit foi enfático:
Nós também somos líderes.
O executivo observou que o Brasil não se resume a apenas um mercado, e mencionou a posição de destaque do grupo em vários segmentos, como os de banco de investimento, gestão de fortunas e cartões de crédito.
Demissões e ganhos
Tamanho não é a única forma de comparação e, às vezes, não é a melhor afirmou, ao lembrar que a instituição tem hoje uma presença maior do que há três anos no país. Para Pandit, o Citi tem escala mais que suficiente para atuar no mercado nacional, e está em busca de qualidade nas operações.
Somos o único banco em condições de levar o Brasil para o mundo e trazer o mundo para o Brasil considerou.
O presidente do Citi, que assumiu o cargo há 11 meses, ainda não teve a oportunidade de apresentar um balanço com lucro ao mercado. Depois de quatro trimestres consecutivos no vermelho, o desempenho futuro do banco, no seu entender, dependerá da combinação de dois fatores: o resultado operacional, que, segundo ele vai muito bem em todo o mundo, e da possibilidade de novas baixas de ativos, em que a instituição trabalha para diminuir.
Sobre o processo de demissões anunciado esta semana pela instituição, e que deve atingir 52 mil pessoas em todo o mundo, Pandit disse que as operações na América Latina já fizeram grande parte do trabalho de ganho de eficiência que será implementado pela instituição.
Pandit faz parte do grupo que espera um bom desempenho para a economia brasileira, apesar da crise, que ele chama de correção econômica . O Citigroup projeta um crescimento de 2,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional no ano que vem. Apesar de ficar abaixo da média mundial, projetada em 3,5% por conta da expansão de China e Índia, o desempenho será bem superior ao dos países desenvolvidos, que devem apresentar um quadro de recessão.
Aposta no futuro
A intenção do Citi é justamente estar presente em países onde haja perspectiva de crescimento na demanda por serviços financeiros. Nesse sentido, o presidente ressaltou a importância dos mercados emergentes, que hoje respondem por 35% dos negócios do grupo. Pandit elogiou as medidas do governo e do Banco Central americano na condução da crise e acredita que a maior parte do trabalho para evitar um agravamento das condições dos mercados já foi feita.
Sobre a duração do ciclo de retração da economia, acha que dependerá das ações da nova administração na Casa Branca. Ele afirmou estar otimista com o governo Barack Obama.
Nossa sensação é de que teremos uma boa liderança, o que vai fazer a diferença.
Pandit afirmou também que o banco entrará 2009 mais fortalecido do que começou este ano, após obter o reforço de capital de US$ 85 bilhões, incluindo os US$ 25 bilhões do pacote do governo americano. E projetou redução de custos da ordem de 20%, o que representará uma economia entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões no próximo ano.
