Ásia em alta; Tóquio cai e Coréia do Sul corta juro

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SÃO PAULO, 7 de novembro de 2008 - As bolsas da Ásia encerraram a semana em alta, mas Tóquio foi influenciada negativamente pela cautela dos investidores em relação à divulgação de balanços corporativos. Nos demais mercados, os cortes de juros promovidos por bancos centrais da Europa, Reino Unido e Coréia do Sul deram fôlego, embora não tenham minimizado os temores de uma possível recessão na economia mundial.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 recuou 3,55%, para 8.583,00 pontos. Pelo segundo consecutivo, as companhias exportadoras foram prejudicadas pela desvalorização do iene ante o dólar. No mercado de divisas local, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a 97,38 ienes, contra 97,69 ienes da última sessão.

Entre as empresas de tecnologia, as ações da Canon caíram 5,76%, enquanto os papéis da Sony recuaram 1,31%. Já no setor automotivo, o destaque ficou para os títulos da Toyota, que desabaram 9,74% após a montadora anunciar ontem uma redução de 56% na sua estimativa de lucro para o atual ano fiscal, que termina em março de 2009. A empresa prevê agora um ganho anual de 550 bilhões de ienes (US$ 5,624 bilhões).

A notícia também prejudicou o desempenho das ações de outras companhias do setor. Os papéis da Honda e da Mazda perderam 8,69% e 9,77%, respectivamente. Já os títulos da Mitsubishi Motors diminuíram 7,55%. A espera por novos balanços corporativos também elevou as perdas no pregão japonês.

Em Seul, o indicador Kospi avançou 3,87%, para 1.134,49 pontos, beneficiado principalmente pela decisão do Banco da Coréia do Sul (BoK, central) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 4% ao ano, atingindo o nível mais baixo desde fevereiro de 2006. Esta é a terceira redução em menos de um mês no juro sul-coreano e tem como objetivo impedir que a crise no sistema financeiro mundial afete a economia local.

Em Hong Kong, apesar da volatilidade, o indicador referencial Hang Seng terminou o dia com alta de 3,29%, aos 14.243,43 pontos, impulsionado pela expectativa de que o governo tomará novas medidas para estimular a economia. Já na China, o índice Xangai Composto teve alta de 1,75%, para 1.747,71 pontos.

A decisão do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE, central) de reduzir o juro trouxe alívio aos investidores, mas não minimizou as preocupações com a possibilidade de recessão na economia mundial.

Nesta sexta-feira, os investidores asiáticos concentram suas atenções na divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos, e esperam por sinais que indiquem uma desaceleração na maior economia do mundo.

(Marcel Salim - InvestNews)