Decisão está fora do contexto da crise, diz especialista
Para Kiel, o BC está na contramão de outros países. "O mundo inteiro está preocupado com a turbulência global, com o nível de desaceleração e os bancos centrais estão tomando medidas para garantir liquidez aos mercados", relembra, acrescentando que a ajuda de US$ 60 bilhões anunciada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) hoje ao Brasil seria mais um argumento para o BC reduzir os juros. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75%.
O especialista argumenta ainda que ao manter a Selic o BC contraria suas próprias medidas como os leilões de compra de dólares, liberação de compulsório e ainda a criação de Medida Provisória (MP) que permite a compra de carteiras de bancos privados pelos públicos Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) para garantir o crédito. "Uma atitude não combina com a outra".
De acordo com Kiel, esta atuação favorece uma interpretação de que o BC está vendo mais o comportamento do mercado financeiro e menos o da economia. "A impressão que dá é que o BC não enxerga o cenário econômico, que mostra uma desaceleração mundial. Agora, o governo não vai querer esperar a desaceleração para depois baixar os juros", desabafa.
(Priscila Dadona - InvestNews)
