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Aumentam idosos com gastrite atrófica

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SÃO PAULO, 28 de outubro de 2008 - O Laboratório Dairton Miranda - especializado em anatomia patológica e citopatologia - registrou aumento considerável na quantidade de biópsias realizadas para detectar a gastrite atrófica. Atualmente, considerando os quatro mil exames que o laboratório realiza por mês, mais de 400 são de biópsia gástrica e é cada vez mais freqüente o número de exames para identificar possíveis gastrites relacionadas à falta da vitamina.

Se não for tratada corretamente, a essa gastrite pode levar à ocorrência de anemia megaloblástica (referência ao megaloblasto, glóbulo vermelho imaturo que se encontra na medula óssea). A deficiência de vitamina B12 tem prevalência crescente na faixa etária de 25 a 60 anos e acomete cerca de 10% da população acima de 65 anos.

São propensos, ainda, a apresentarem manifestações de falta da vitamina, os vegetarianos restritos (que não ingerem carnes, ovos, leite e seus derivados), os portadores de parasitoses intestinais, as pessoas operadas do pâncreas e os portadores de doenças inflamatórias crônicas dos intestinos. Isso porque a vitamina B12 é absorvida pelo trato gastrointestinal a partir de alimentos como leite, carnes e ovos.

De acordo com o médico e diretor do laboratório, o patologista Dairton Miranda, a gastrite atrófica pode ser identificada através da biópsia para análise histopatológica. "Muitos idosos acreditam estar com câncer, esclerose, demência, doenças da medula óssea e até mesmo outras alterações hematológicas, mas somente a análise do material colhido após a endoscopia pode indicar que os sintomas estão relacionados à falta de vitamina B12", afirma.

A gastrite atrófica pode ser completamente assintomática, apontando os sintomas principalmente nos casos crônicos, porém, na fase aguda, podem ocorrer sinais como desconforto na região do abdome, náuseas e vômitos, perda de apetite. Nos casos mais complicados acontece sangramento digestivo demonstrado pela evacuação das fezes escuras (melenas) e vômitos com sangue. Nos casos de anemia megaloblástica, doença também causada pela falta da vitamina B12 e pelo não tratamento da gastrite, as manifestações são fraqueza, ardência na língua, diarréia e, em casos mais graves, alterações neurológicas envolvendo memória, orientação e falta de equilíbrio do corpo.

A hipótese trabalhada por muitos especialistas para a alta incidência em idosos é que a deficiência não tenha aparecido aos 65 anos, mas tenha evoluído ao longo dos últimos dez anos em que a gastrite não fora tratada.

Se a deficiência de vitamina B12 é diagnosticada precocemente, o indivíduo evita as complicações. No entanto, vários idosos chegam a estado gravíssimo, no qual apresentam baixo peso, com nível mínimo de hemoglobina, distúrbios neurológicos, incapacidade para andar e controlar esfíncteres. Isso porque há anos estão com o quadro clínico ainda em investigação, sem o diagnóstico correto. "Nos casos avançados, a situação pode ser irreversível. Com tratamento o paciente consegue melhorar, mas não totalmente, já que as alterações neurológicas provocadas podem deixar seqüelas", afirma Miranda.

O estado avançado de deficiência da B12 também provoca lesão de células neuronais, processo denominado desmielinização, que acarreta neuropatias - doenças do sistema nervoso - gerando diversos distúrbios comportamentais. Os sintomas mais freqüentes são formigamento em ambas as pernas, queimação na sola dos pés, distúrbios da marcha e do equilíbrio (andar cambaleando com as pernas bem abertas para equilibrar-se). Em casos mais extremos pode ocorrer também incontinência urinária por falta de controle do esfíncter.

O tratamento para suprir a deficiência de B12 no organismo e impedir o aparecimento das complicações inclui a aplicação de injeções da vitamina no paciente.

(Redação - InvestNews)