Petrobras leva índice a patamar de outubro de 2005

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SÃO PAULO, 27 de outubro de 2008 - Por mais um pregão, o quinto consecutivo, observamos os investidores domésticos se desfazerem de ativos de risco com a perspectiva de recessão global. Desta vez, as ações da Vale e Petrobras levaram o índice acionário da BM&FBovespa a fechar a sessão em queda de 6,5%, aos 29.435 pontos. Este é o menor patamar desde 28 de outubro de 2005 e, no ano, a queda acumulada é de 53,92%. O giro financeiro somou R$ 3,24 bilhões.

Os papéis da estatal petrolífera brasileira, por exemplo, acompanham a forte desvalorização do preço do petróleo. Nesta segunda-feira, o barril da commodity foi negociado com a menor cotação em quase um ano e meio - aos US$ 62. O movimento reflete a expectativa de redução da demanda em virtude de uma possível recessão global.

Nem mesmo o corte de 1,5 milhão de barris na produção diária de petróleo, anunciado na última sexta-feira pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), surtiu efeito nas cotações. As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras despencaram 11,22% e 9,27%, respectivamente.

Em contrapartida, as ações do Bradesco e Itaú foram o destaque positivo - com desvalorização de 4,34% para as ações preferenciais do Bradesco, e estabilidade para os papéis preferenciais do Itaú. Ambas as instituições divulgaram resultados trimestrais nesta segunda-feira. O Bradesco reportou lucro líquido de R$ 6,015 bilhões no acumulado de janeiro a setembro deste ano, crescimento de 3,4% ante o resultado do mesmo período do ano passado. Excluindo efeitos extraordinários, o lucro líquido da instituição, no período, foi de R$ 5,8 bilhões.

Já o Itaú antecipou seus resultados não-auditados em razão do comportamento dos mercados de capitais e financeiro no Brasil e exterior. O banco registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre deste ano, sendo de R$ 6 bilhões o lucro líquido recorrente no acumulado do ano. De acordo com o comunicado, a carteira de crédito - incluindo avais e fianças - cresceu 44,2% no terceiro trimestre deste ano, frente aos mesmo período de 2007. As demonstrações financeiras completas serão divulgadas no dia 04 de novembro.

E o Banco Central (BC) continua agindo para aumentar a liquidez no sistema financeiro. Pela manhã, a entidade monetária anunciou que os bancos que adiantarem 60 contribuições mensais ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) poderão abater o valor do depósito compulsório (dinheiro que os bancos são obrigados a recolher ao BC) à vista. De acordo com o BC, podem deixar de ser recolhidos até R$ 6 bilhões no mercado, a partir do próximo dia 29. A alíquota do FGC é de 0,0125% sobre os depósitos das instituições.

No front externo, contrariando as expectativas, as vendas de imóveis novos nos Estados Unidos apresentaram alta de 2,7% em setembro enquanto que o mercado projetava queda de 1,3% no mesmo período de comparação. A notícia tirou a força vendedora dos índices acionários de Wall Street, que durante a tarde chegaram a operar no azul, mas acabaram encerrando a segunda-feira em queda. "Trata-se de um indicador volátil, que oscila muito de mês para mês. Por isso, não sugere que a economia dos Estados Unidos está em recuperação e que será preciso conter a demanda", afirma José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

O executivo mantém a projeção de queda na taxa de juros norte-americana, na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), dos Estados Unidos, marcada para esta quarta-feira. "A propósito, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, anunciou que pode baixar os juros daquela moeda semana na semana que vem", disse.

(Vanessa Correia - InvestNews)