Pânico marca último dia da semana

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SÃO PAULO, 10 de outubro de 2008 - O último dia da semana foi de nervosismo entre os investidores que acompanharam uma série de notícias envolvendo empresas e bancos, o que causou uma onda de pânico e volatilidade no mercado.

Logo pela manhã, a notícia de que a companhia de seguros japonesa Yamato Life Insurance pediu a proteção da lei de falências pegou o mercado de surpresa. A dívida da empresa chega a 269,5 bilhões de ienes (? 2 bilhões) e supera em 11,4 bilhões de ienes (? 84 milhões) o valor de todos os ativos do grupo, explicou seu presidente, Takeo Nakazono.

Além disso, rumores davam conta de que o banco japonês Mitsubishi UFJ Financial teria desistido do Morgan Stanley, sem contar que a agência de classificação de risco Moody´s revisou a perspectiva de rating de longo prazo do ex-banco de investimentos Goldman Sachs para negativa.

Na tentativa de acalmar os ânimos, o presidente George W. Bush veio a público mais uma vez afirmar que o governo dispõe de todos os mecanismos necessários para resolver o problema da crise que assola tanto o país quanto o mundo. Bush voltou a elogiar o plano de resgate de US$ 700 bilhões proposto pelo governo para tentar salvar o setor financeiro. "O plano é agressivo. É significativo e vamos fazer de tudo para que seja eficaz", salientou.

Diante de um clima tenso nos mercados globais, a grande expectativa do mercado é de que novas medidas serão anunciadas. Os ministros do G7 (grupo dos sete países mais ricos) irão se reunir em Washington, os Estados Unidos, hoje para definir novas medidas coordenadas a fim de minimizar a crise financeira mundial. Amanhã os ministros do G20 (grupo de países emergentes liderado pelo Brasil) também irão se reunir.

Embora o pânico tenha prevalecido nos principais mercados financeiros mundiais, a queda das praças acionárias norte-americanas e brasileira foi amenizadas próxima ao encerramento dos negócios. Mas, mesmo assim, os índices de Wall Street registraram sua oitava sessão consecutiva em queda (com exceção de Nasdaq), enquanto que no Brasil, o recuo foi de 3,97%, aos 35.690 pontos, marcando a sétima sessão seguida de desvalorização. Na semana, o índice recuou 20%, enquanto que no mês, a queda acumulada é de 28,12%. O giro financeiro somou R$ 5,42 bilhões.

Na BM&FBovespa o dia foi volátil com as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sinalizando queda no curto prazo e avanço nos prazos mais longos. O DI de de 2010, o mais líquido, subiu de 14,76% para 15,03%. Os contratos mais longos são os que refletem o cenário externo.

Já o dólar, depois de oscilar entre a mínima de R$ 2,252 e a máxima de R$ 2,320, fechou o preção em alta de 4,42%, vendido a R$ 2,315. Na semana, a divisa norte-americana acumulou valorização de 13,5%. No ano, o ganho é de 30,3%.

(Ciça Ferraz - InvestNews)