Após paralisação dos negócios, índice recua 8%
Ás 10h35, a bolsa brasileira atingiu queda de 10,19% e o mecanismo de circuit breaker foi acionado pela terceira vez esta semana e quarta no ano. A prática foi criada para amortecer e rebalancear as ordens de compra e venda quando o mercado tem movimentos bruscos, como a atual crise financeira dos Estados Unidos. Por meio dele, o pregão é suspenso por trinta minutos toda vez que a queda no índice da bolsa alcança 10% ou mais. Caso o Ibovespa de hoje caia 15% com relação ao de quinta-feira, o pregão fechará por uma hora.
"Não há outra trajetória a não ser a de queda para o Ibovespa", afirma José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Os investidores continuam precificando uma recessão global, além das incertezas quanto à eficácia do corte coordenado de juros por vários bancos centrais ao redor do mundo.
Na tentativa de acalmar os ânimos, mais uma vez o presidente George W. Bush veio a público afirmar que o governo dispõe de todos os mecanismos necessários para resolver o problema da crise financeira que assola tanto o país quanto o mundo. Bush voltou a elogiar o plano de resgate de US$ 700 bilhões proposto pelo governo para tentar salvar o setor financeiro. "O plano é agressivo. É significativo e vamos fazer de tudo para que seja eficaz", salientou.
Amanhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e os ministros da Fazenda e os presidentes dos bancos centrais dos países que integram o G-20, composto pelos países desenvolvidos (que fazem parte do G7), mais os emergentes, irão discutir a crise e as conseqüências para a economia mundial.
E, enquanto o pacote de resgate não entra em vigor, novas notícias envolvendo o setor financeiro contribuem para a piora de humor. Entre eles, rumores de que o banco japonês Mitsubishi UFJ Financial teria desistido do Morgan Stanley e revisão da perspectiva de rating de longo prazo do ex-banco de investimentos Goldman Sachs para negativa pela agência de classificação de risco Moody's.
Já o Citigroup anunciou hoje que as negociações com seu rival Wells Fargo para uma possível aquisição do Wachovia terminaram sem acordo e disse que pedirá indenizações às duas instituições pelos prejuízos que lhe causaram.
(Vanessa Correia - InvestNews)
