Depois de oscilar muito, índice cai 3,85%

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SÃO PAULO, 8 de outubro de 2008 - Depois de registrar forte volatilidade ao longo de toda a sessão, a bolsa brasileira ensaiou uma recuperação no final dos negócios mas acabou encerrando o dia em queda de 3,85%, aos 38.593 pontos. O índice acionário da BM&FBovespa seguiu tendência externa e trocou de posição várias vezes ao dia, ora animada pelo corte de juros coordenado entre vários bancos centrais ao redor do mundo, ora temerosa de que um grande banco peça falência. O giro financeiro somou R$ 7,4 bilhões.

O dia começou tenso. Para evitar quedas bruscas nas bolsas, os bancos centrais de grandes economias - Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Suíça, Suécia e Zona do Euro - anunciaram uma redução coordenada na taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para evitar que os efeitos da crise afete o sistema financeiro global. A ação é inédita e foi feita em caráter emergencial. Em Pequim, o Banco da China também reduziu o juro em 0,27 ponto percentual, para 6,93% ao ano.

"Os investidores entendem que foi ótimo reduzir o juro, mas a medida só será suficiente junto com outras ações, que podem restabelecer a confiança e liquidez nos mercados", destaca Jayme Alves, analista de investimentos da Spinelli Corretora.

"Havia a necessidade de uma ação conjunta. Na zona do euro, as ações estavam descoordenadas, cada banco falava uma coisa, e isso prejudicava a informação e deixava o investidor mais preocupado com a situação financeira", completa Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros.

E as notícias divulgadas durante o dia não ajudaram para uma recuperação. Enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a previsão de crescimento para os Estados Unidos em 2009, de 0,8% - anunciado em julho - para 0,1%, a agência de estatísticas da União Européia (Eurostat) informou que a zona do euro registrou queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado pelo 15 países que utilizam o euro como moeda única na Europa, no segundo trimestre deste ano ante o mês anterior.

Mas, no final da tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, declarou que o Tesouro está se movendo rápido para auxiliar as instituições financeiras e os contribuintes. "Nosso corpo de autoridades irá trabalhar com um único objetivo: restaurar o fluxo de capital para os consumidores e os negócios que sustentam a economia do país".

Mesmo assim, Paulson não descartou eventuais quebras de instituições financeiras em seu país, apesar da entrada em vigor na sexta-feira passada, do plano de resgate bancário. "Devemos reconhecer uma coisa: mesmo com as novas medidas tomadas pelo Tesouro, algumas instituições financeiras vão quebrar", alertou Paulson.

No âmbito acionário doméstico, dentre as 66 ações que compõem o Ibovespa, os principais destaques de alta foram: Perdigão ON (+6,72%), Brasil Telecom Participações ON (+5,99%) e BM&FBovespa (+5,97%). Já entre as três maiores desvalorizações estiveram Cesp PNB (-17,26%), VCP PN (-13,65%) e Nossa Caixa ON (-12,36%).

Já o Ibovespa com vencimento em outubro registrou queda de 0,61%, a 40.200 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.

(Vanessa Correia e Déborah Costa - InvestNews)