Depois de oscilar muito, índice cai 3,85%
O dia começou tenso. Para evitar quedas bruscas nas bolsas, os bancos centrais de grandes economias - Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Suíça, Suécia e Zona do Euro - anunciaram uma redução coordenada na taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para evitar que os efeitos da crise afete o sistema financeiro global. A ação é inédita e foi feita em caráter emergencial. Em Pequim, o Banco da China também reduziu o juro em 0,27 ponto percentual, para 6,93% ao ano.
"Os investidores entendem que foi ótimo reduzir o juro, mas a medida só será suficiente junto com outras ações, que podem restabelecer a confiança e liquidez nos mercados", destaca Jayme Alves, analista de investimentos da Spinelli Corretora.
"Havia a necessidade de uma ação conjunta. Na zona do euro, as ações estavam descoordenadas, cada banco falava uma coisa, e isso prejudicava a informação e deixava o investidor mais preocupado com a situação financeira", completa Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros.
E as notícias divulgadas durante o dia não ajudaram para uma recuperação. Enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a previsão de crescimento para os Estados Unidos em 2009, de 0,8% - anunciado em julho - para 0,1%, a agência de estatísticas da União Européia (Eurostat) informou que a zona do euro registrou queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado pelo 15 países que utilizam o euro como moeda única na Europa, no segundo trimestre deste ano ante o mês anterior.
Mas, no final da tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, declarou que o Tesouro está se movendo rápido para auxiliar as instituições financeiras e os contribuintes. "Nosso corpo de autoridades irá trabalhar com um único objetivo: restaurar o fluxo de capital para os consumidores e os negócios que sustentam a economia do país".
Mesmo assim, Paulson não descartou eventuais quebras de instituições financeiras em seu país, apesar da entrada em vigor na sexta-feira passada, do plano de resgate bancário. "Devemos reconhecer uma coisa: mesmo com as novas medidas tomadas pelo Tesouro, algumas instituições financeiras vão quebrar", alertou Paulson.
No âmbito acionário doméstico, dentre as 66 ações que compõem o Ibovespa, os principais destaques de alta foram: Perdigão ON (+6,72%), Brasil Telecom Participações ON (+5,99%) e BM&FBovespa (+5,97%). Já entre as três maiores desvalorizações estiveram Cesp PNB (-17,26%), VCP PN (-13,65%) e Nossa Caixa ON (-12,36%).
Já o Ibovespa com vencimento em outubro registrou queda de 0,61%, a 40.200 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.
(Vanessa Correia e Déborah Costa - InvestNews)
